Você já calculou a amortização de uma parcela com a função PPGTO e o valor não fechava com o esperado ao comparar com a parcela total? Ou montou uma tabela de amortização Price completa e o saldo devedor final não zerava exatamente, sobrando um resíduo estranho?
Já mostramos aqui no blog como usar IPGTO e PPGTO para montar uma tabela de amortização Price. A PPGTO calcula a parte de amortização do principal de uma parcela — e, assim como sua função irmã IPGTO, tem alguns detalhes que costumam gerar confusão.
Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função PPGTO, e como identificar e corrigir cada um deles.
Erro 1: esquecer que PPGTO cresce, ao contrário de IPGTO
No sistema Price, a amortização do principal (PPGTO) cresce a cada parcela, enquanto o juro (IPGTO) decresce — os dois efeitos se compensam para manter a parcela total (PGTO) sempre constante. Um erro comum é esperar que a PPGTO decresça como a IPGTO, ou ficar surpreso ao ver a amortização aumentar ao longo do financiamento, achando que há um erro na fórmula.

Erro 2: usar PPGTO no sistema SAC
Assim como a IPGTO, a PPGTO assume o sistema Price (parcela total constante) — no Sistema de Amortização Constante (SAC), a amortização já é fixa por definição (não precisa de uma função para calculá-la, basta dividir o valor financiado pelo número de parcelas), então usar a PPGTO nesse contexto não faz sentido e pode gerar confusão sobre qual sistema está realmente sendo usado.
Erro 3: não fixar as referências ao copiar a fórmula para uma tabela completa
O mesmo erro de referência relativa que afeta a IPGTO também afeta a PPGTO: esquecer de fixar com $ os argumentos de taxa, nper e vp ao copiar a fórmula para baixo em uma tabela de amortização faz os valores saírem incorretos a partir da segunda linha, com cada linha “puxando” valores errados de células vizinhas.
Errado ao copiar: =PPGTO(B1; A5; B2; B3) sem fixar B1, B2, B3
Correto: =PPGTO($B$1; A5; $B$2; $B$3) com os argumentos fixos
Erro 4: esperar que a soma das amortizações feche exatamente com vp em qualquer cenário
Somando todas as PPGTO de um financiamento completo (do período 1 até nper), o total deveria bater exatamente com o valor financiado (vp) — se esse total não fechar, geralmente é sinal de um erro nos argumentos da fórmula (como período fora do intervalo válido, ou vf preenchido incorretamente quando deveria ser zero), não uma limitação da função em si.
Erro 5: confundir PPGTO com o saldo devedor restante
Um erro de interpretação comum é achar que o resultado da PPGTO em um período específico representa o saldo devedor restante naquele ponto — na verdade, é só o valor amortizado naquela parcela específica. Para saber o saldo devedor restante, é preciso somar todas as amortizações desde o início até aquele período (com a função PGTOCAPACUM) e subtrair do valor financiado original.
Erro 6: esquecer o valor residual em financiamentos com parcela balão
Assim como acontece com a IPGTO, financiamentos com uma parcela final maior (balão) precisam ter esse valor informado no argumento vf da PPGTO — sem isso, a soma das amortizações calculadas ao longo do financiamento não vai bater com o valor esperado, porque a função assume por padrão que o saldo devedor deve zerar completamente ao final.
Verificando a última parcela do financiamento
Um teste rápido para conferir se uma tabela de amortização Price está montada corretamente é olhar especificamente para a última parcela (período = nper): a soma de IPGTO e PPGTO nesse período deveria ser exatamente igual ao resultado da PGTO, e o saldo devedor acumulado até ali deveria zerar (ou bater com o valor residual informado em vf, se houver um).
Como evitar esses erros de forma sistemática
Antes de considerar pronta uma tabela de amortização com PPGTO, vale confirmar três coisas: se o sistema realmente é Price (não SAC), se as referências de taxa, nper e vp estão fixadas com $, e se a soma de todas as parcelas de amortização fecha exatamente com o valor financiado original.
Erro 7: usar a PPGTO isolada para decidir sobre amortização extraordinária
Ao decidir se vale a pena fazer um pagamento extra para amortizar mais rápido um financiamento, olhar só o valor da PPGTO de uma parcela isolada não conta a história completa — o que realmente importa nessa decisão é o efeito acumulado sobre o total de juros que deixará de ser pago (calculado com a PGTOJURACUM comparando os cenários com e sem a amortização extra), não o valor de uma única parcela de amortização isolada.
Comparando visualmente PPGTO e IPGTO na mesma tabela
Montar as duas colunas lado a lado (IPGTO decrescente e PPGTO crescente) na mesma tabela, junto com uma terceira coluna somando as duas (que deveria ser sempre igual à PGTO constante), é a forma mais direta de visualizar e conferir simultaneamente se ambas as fórmulas estão configuradas corretamente — qualquer inconsistência nessa soma constante é um sinal claro de erro em uma das duas fórmulas.
Pequenas diferenças de arredondamento na última parcela
Em alguns financiamentos reais, a última parcela é ajustada manualmente pela instituição financeira em alguns centavos, para compensar acúmulos de arredondamento ao longo de todo o contrato — se a PPGTO calculada no Excel para o último período não bater exatamente com o extrato real nesse valor específico, isso costuma ser esse ajuste de arredondamento institucional, não necessariamente um erro na fórmula.
Disponibilidade
PPGTO está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, PPGTO.
Compartilhe ou Comente
Se você curtiu esse artigo aonde mostramos os erros mais comuns na função PPGTO do Excel, compartilhe com as suas redes sociais e não se esqueça de deixar um comentário aqui embaixo caso você tenha ficado com alguma dúvida.
Você já teve uma tabela de amortização onde o saldo não zerava exatamente no final? Descobriu qual desses erros era o culpado? Conta para nós nos comentários!