Você já precisou calcular o valor futuro de um investimento que rende taxas de juros diferentes em cada período — por exemplo, um CDB pós-fixado atrelado a um índice que varia mês a mês — sem poder usar a função VF, que assume uma taxa fixa constante? Ou tinha uma lista de taxas mensais diferentes e precisava aplicá-las em sequência sobre o mesmo valor investido?
A função VF, que já mostramos aqui no blog, assume que a taxa de juros é sempre a mesma em todos os períodos do investimento — uma suposição que não vale para investimentos pós-fixados, onde a taxa efetiva de cada período varia conforme um índice de referência (como o CDI) muda ao longo do tempo.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função VFPLANO para calcular o valor futuro de um investimento sujeito a uma série de taxas de juros diferentes, uma para cada período.
O que é a função VFPLANO
VFPLANO (equivalente à FVSCHEDULE em inglês, de “future value schedule”) calcula o valor futuro de um valor investido uma única vez, aplicando uma série de taxas de juros diferentes, uma para cada período consecutivo.
A sintaxe é:
=VFPLANO(principal; agenda)
- principal: o valor investido inicialmente, de uma só vez
- agenda: um intervalo de células (ou uma constante de matriz) contendo a sequência de taxas de juros a serem aplicadas, uma por período, em ordem
Exemplo prático
Para um investimento de R$ 1.000, com taxas de 5%, 6% e 4% nos três períodos seguintes:
=VFPLANO(1000; {0,05; 0,06; 0,04})
O resultado é R$ 1.157,52 — o valor final depois de aplicar as três taxas em sequência, cada uma sobre o saldo já acumulado do período anterior.

Como o cálculo funciona internamente
A VFPLANO aplica cada taxa da sequência ao saldo acumulado até aquele momento, multiplicando o saldo por (1 + taxa) a cada período: primeiro 1.000 × 1,05 = 1.050; depois 1.050 × 1,06 = 1.113; e por fim 1.113 × 1,04 = 1.157,52. É exatamente o mesmo raciocínio de juros compostos usado pela VF, só que permitindo uma taxa diferente em cada “rodada”, em vez de uma taxa fixa repetida.
VFPLANO vs VF: taxa fixa ou taxas variáveis
✅ VF é suficiente e mais simples quando a taxa de juros é constante em todos os períodos do investimento
❌ VFPLANO é necessária quando cada período tem uma taxa diferente, como em investimentos pós-fixados atrelados a um índice de referência que varia mês a mês
VFPLANO não aceita aportes periódicos
Um ponto importante: assim como a VF sem aportes, a VFPLANO só funciona para um único valor investido de uma vez (o principal), sem nenhuma possibilidade de aportes adicionais ao longo do caminho — se você precisa simular aportes mensais com taxas variáveis, a VFPLANO sozinha não resolve, sendo necessário montar uma tabela auxiliar, calculando o crescimento de cada aporte separadamente com sua própria fração da agenda de taxas.
Onde essa função é mais útil
A VFPLANO é especialmente útil para simular retroativamente quanto um investimento pós-fixado teria rendido, usando uma série histórica real de taxas mensais (por exemplo, taxas mensais de CDI dos últimos 12 meses) — permitindo reconstruir com precisão o valor acumulado real, em vez de usar uma taxa média aproximada, que sempre introduz alguma distorção no resultado final.
Comparando o resultado real com uma simulação por taxa média
Uma boa prática ao apresentar uma simulação de investimento pós-fixado é mostrar lado a lado o resultado da VFPLANO (usando as taxas reais período a período) e uma simulação simplificada usando VF com a taxa média do período — a diferença entre os dois números, mesmo que pequena, ilustra visualmente o efeito real da volatilidade da taxa sobre o resultado final, um conceito importante para quem está decidindo entre um investimento prefixado (taxa constante) e um pós-fixado (taxa variável).
Erro comum
O erro mais comum é usar uma taxa média nas simulações de investimentos pós-fixados, esperando o mesmo resultado que a VFPLANO daria com as taxas reais período a período — por causa do efeito de juros compostos, o resultado usando uma taxa média (mesmo que matematicamente correta como média) quase nunca é idêntico ao resultado usando as taxas reais em sequência, especialmente quando as taxas variam bastante entre si. Outro erro é esquecer que a ordem das taxas na agenda importa para o cálculo período a período, embora o resultado final do valor futuro seja matematicamente o mesmo independente da ordem, já que a multiplicação é comutativa.
Usando taxas negativas na agenda
A agenda de taxas usada na VFPLANO pode incluir valores negativos, representando períodos de perda (por exemplo, uma queda no índice de referência de um investimento pós-fixado atrelado a um ativo de renda variável). A função lida normalmente com esses valores, multiplicando o saldo por (1 + taxa) mesmo quando a taxa é negativa, o que naturalmente reduz o saldo acumulado naquele período específico, sem exigir nenhum tratamento especial na fórmula.
Referenciando a agenda de taxas em uma coluna auxiliar
Na prática, a forma mais organizada de usar a VFPLANO é manter a sequência de taxas em uma coluna separada da planilha (uma linha para cada período), em vez de digitar a constante de matriz diretamente na fórmula:
=VFPLANO(B1; C2:C13)
Onde B1 contém o principal investido e C2:C13 contém, por exemplo, 12 taxas mensais em sequência. Essa organização facilita atualizar a simulação sempre que uma nova taxa mensal real for divulgada, sem precisar editar a fórmula em si.
Disponibilidade
VFPLANO está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, VFPLANO.
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Você tem algum investimento pós-fixado que gostaria de simular com essa função? Vai usar a VFPLANO para reconstruir o rendimento histórico real de algum investimento seu? Conta para nós nos comentários!