Você já calculou a TIR de um projeto e o Excel retornou o erro #NÚM!, sem entender por quê, mesmo com um fluxo de caixa aparentemente normal? Ou já obteve um resultado de TIR que parecia bom demais para ser verdade, e desconfiou que algo estava errado na análise?
Já mostramos aqui no blog como calcular a TIR e o que ela representa. Sendo uma das funções financeiras mais usadas (e mal compreendidas) do Excel, a TIR tem uma série de armadilhas específicas que confundem até analistas experientes.
Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função TIR, e como identificar e corrigir cada um deles.
Erro 1: esquecer de incluir o investimento inicial como valor negativo
O erro mais básico é montar a série de valores sem nenhum número negativo — a TIR precisa de pelo menos um valor negativo (o investimento) e um positivo (o retorno) para calcular algo com sentido. Esquecer de colocar o investimento inicial como negativo faz a fórmula retornar erro ou um resultado sem significado.
Errado: =TIR({1000;300;400;500;600})
Correto: =TIR({-1000;300;400;500;600})
Erro 2: erro #NÚM! por falta de estimativa adequada
Assim como a TAXA, a TIR calcula seu resultado por aproximação sucessiva — se o processo não converge com a estimativa padrão (10%), o Excel retorna #NÚM!. Informar uma estimativa mais próxima do valor esperado, como segundo argumento da função, costuma resolver esse problema.
=TIR(A1:A5; 0,2) — sugerindo 20% como ponto de partida da busca

Erro 3: ignorar o problema de múltiplas TIRs válidas
Quando o fluxo de caixa muda de sinal mais de uma vez (por exemplo, negativo, positivo, negativo de novo — comum em projetos com custo de desativação ao final), pode existir mais de uma taxa que zera matematicamente o VPL do projeto. O Excel retorna só uma dessas soluções (a mais próxima da estimativa informada), sem avisar que outras podem existir — testar diferentes valores de estimativa ajuda a descobrir se há mais de uma raiz válida.
Erro 4: assumir que o reinvestimento acontece na própria taxa da TIR
Um erro conceitual importante: a fórmula da TIR assume implicitamente que os valores positivos recebidos ao longo do caminho são reinvestidos exatamente na mesma taxa da própria TIR — uma suposição pouco realista, especialmente para TIRs muito altas. Para uma análise mais realista, considere usar a função MTIR, que já mostramos aqui no blog, permitindo taxas de reinvestimento diferentes.
Erro 5: incluir períodos vazios ou fora de ordem na série de valores
A TIR assume que os valores estão em ordem cronológica, um por período regular, sem lacunas — deixar uma célula vazia no meio do intervalo, ou incluir valores fora de ordem, distorce o resultado sem gerar um erro explícito. Se os fluxos de caixa reais têm datas irregulares (não períodos regulares), a função correta é a XTIR, não a TIR.
Erro 6: comparar TIRs de projetos com escalas de investimento muito diferentes
Um projeto pequeno pode ter uma TIR percentual mais alta que um projeto grande, mesmo gerando um retorno em reais muito menor — usar só a TIR para decidir entre dois projetos de escalas diferentes, sem considerar também o VPL (que reflete o valor absoluto criado), pode levar a uma decisão que maximiza a taxa percentual, mas não necessariamente o resultado financeiro real da empresa.
Erro 7: esquecer que a TIR não considera o tamanho absoluto do investimento
Um erro relacionado ao Erro 6: dois projetos podem ter TIRs idênticas, mas um deles cria muito mais valor em reais que o outro, simplesmente por ser maior em escala. A TIR, sendo uma medida percentual, é cega a essa diferença de escala — é sempre importante olhar o VPL em conjunto com a TIR antes de decidir qual projeto priorizar, especialmente quando há restrição de capital disponível para investir.
Testando o resultado com a função VPL
Uma boa forma de conferir se a TIR encontrada está correta é usá-la como taxa de desconto na função VPL, com a mesma série de valores — o resultado deveria ser exatamente zero (ou muito próximo de zero, por causa de arredondamento). Se o VPL calculado com a TIR encontrada não ficar próximo de zero, algum dos erros listados acima provavelmente está presente na fórmula original.
Como evitar esses erros de forma sistemática
Antes de considerar pronto um resultado de TIR, vale confirmar três coisas: se a série de valores tem pelo menos um valor negativo (o investimento), se o fluxo de caixa muda de sinal mais de uma vez (nesse caso, teste diferentes estimativas ou considere a MTIR), e se a comparação entre projetos de escalas diferentes também leva em conta o VPL, não só a taxa percentual isolada.
Erro 8: aplicar a TIR anual a fluxos de caixa mensais sem ajuste
Se a série de valores representa fluxos de caixa mensais, o resultado da TIR também é uma taxa mensal, não anual — usar esse número diretamente como se fosse a taxa anual do projeto subestima bastante o retorno real. Para converter corretamente, é necessário usar a fórmula de juros compostos (1+TIR mensal)^12 − 1, não simplesmente multiplicar por 12.
Documentando a estimativa usada para facilitar auditoria futura
Como a estimativa informada pode, em casos de múltiplas TIRs válidas, influenciar qual resultado a fórmula retorna, vale sempre deixar registrado em uma célula ou comentário próximo qual estimativa foi usada e por quê — isso facilita a auditoria da planilha por outra pessoa (ou por você mesmo, meses depois), que de outra forma não teria como saber se o resultado apresentado é a única TIR válida ou apenas uma entre várias possíveis para aquele fluxo de caixa específico.
Disponibilidade
TIR está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, TIR.
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Você já se deparou com o problema de múltiplas TIRs válidas em algum projeto seu? Descobriu qual desses erros era o culpado no seu caso? Conta para nós nos comentários!