Quando você financia algo pelo sistema Price, cada parcela é composta por duas partes: uma parte que paga os juros do período e outra que amortiza (reduz) o saldo devedor. Saber quanto de cada parcela vai para juros e quanto vai para o principal é fundamental para entender o custo real do financiamento e comparar diferentes opções. As funções IPGTO e PPGTO do Excel calculam exatamente essas duas partes. Neste artigo iremos mostrar como usar o IPGTO e o PPGTO para montar uma tabela de amortização completa no Excel.
O que são IPGTO e PPGTO?
- IPGTO (em inglês IPMT): calcula o valor dos Juros de uma parcela específica
- PPGTO (em inglês PPMT): calcula o valor da Amortização (Principal) de uma parcela específica
A soma das duas sempre resulta no valor total da parcela calculada pelo PGTO: PGTO = IPGTO + PPGTO
A sintaxe das funções
=IPGTO(taxa; período; nper; vp; [vf]; [tipo]) =PPGTO(taxa; período; nper; vp; [vf]; [tipo])
O parâmetro período é o número da parcela para a qual você quer calcular os juros ou a amortização.
Exemplo: financiamento de R$ 30.000 em 12 parcelas a 2% ao mês
Para calcular os juros da 1ª parcela:
=IPGTO(2%; 1; 12; 30000)
Para calcular a amortização da 1ª parcela:
=PPGTO(2%; 1; 12; 30000)
Montando a tabela de amortização completa
Com essas funções, você monta uma tabela de amortização profissional. Crie as colunas: Período, Saldo Inicial, Parcela, Juros, Amortização, Saldo Final.
Na linha 2 (período 1):
- Saldo Inicial: =vp (o valor financiado)
- Parcela: =-PGTO(taxa; nper; vp)
- Juros: =-IPGTO(taxa; A2; nper; vp) — onde A2 é o número do período
- Amortização: =-PPGTO(taxa; A2; nper; vp)
- Saldo Final: =Saldo Inicial – Amortização
Arraste todas as fórmulas para baixo até o último período. A tabela se constrói automaticamente para todo o prazo do financiamento.
O que a tabela de amortização revela
Uma das revelações mais importantes da tabela de amortização é que nas primeiras parcelas do sistema Price, a maior parte do pagamento vai para juros e uma parte pequena amortiza o saldo. Isso inverte ao longo do tempo. Nas últimas parcelas, a amortização é maior que os juros. Por isso, quitar um financiamento Price no início gera uma economia muito menor do que se imagina: o saldo devedor no início ainda é quase o valor total do empréstimo.
Calculando o total de juros pagos
Com a tabela montada, some a coluna de Juros para ver o total que você pagará em juros durante toda a vida do financiamento. Esse número costuma surpreender: em muitos financiamentos longos, o total de juros pago supera o valor original financiado.
IPGTO cumulativo com CUMIPMT
O Excel também tem a função CUMIPMT que calcula o total de juros pagos entre dois períodos sem precisar montar a tabela completa:
=CUMIPMT(taxa; nper; vp; período_inicial; período_final; tipo)
Por exemplo, para calcular o total de juros pagos no primeiro ano (períodos 1 a 12) de um financiamento:
=CUMIPMT(taxa; nper; vp; 1; 12; 0)
Por que as primeiras parcelas são quase só juros no sistema Price
Um dos fatos mais surpreendentes para quem analisa uma tabela de amortização Price pela primeira vez é perceber que nas parcelas iniciais, a grande maioria do valor vai para pagar juros, e apenas uma pequena fração reduz o saldo devedor. Isso não é um problema ou uma armadilha — é a matemática dos juros compostos funcionando.
No início do financiamento, o saldo devedor está no seu valor máximo, então os juros calculados sobre ele também estão no valor máximo. À medida que você paga, o saldo vai diminuindo, os juros de cada período também diminuem, e a mesma parcela fixa “sobra” mais para amortizar. O processo é progressivo e se acelera com o tempo.
Isso explica por que quitar um financiamento Price logo no começo gera uma economia de juros bem menor do que parece. Se você fez 6 meses de pagamentos, o saldo devedor ainda está muito próximo do valor original. O PPGTO de cada período confirma isso: nos primeiros meses, a amortização é pequena e vai crescendo gradualmente.
CUMIPMT e CUMPRINC: totalizando juros e amortização por período
Além das funções IPGTO e PPGTO que calculam o valor de uma parcela específica, o Excel tem duas funções que calculam os totais acumulados de um intervalo de períodos. Essas funções são muito úteis para análises de período, como calcular o total de juros pago em um ano fiscal.
A função CUMIPMT calcula o total de juros pagos entre dois períodos:
=CUMIPMT(taxa; nper; vp; período_inicial; período_final; tipo)
Por exemplo, para calcular o total de juros pago no segundo ano (meses 13 a 24) de um financiamento de 60 meses a 1,2% ao mês de R$ 50.000:
=CUMIPMT(1,2%; 60; 50000; 13; 24; 0)
A função CUMPRINC faz o mesmo para a amortização acumulada. Com essas duas funções, você analisa o comportamento do financiamento em qualquer período sem precisar da tabela completa.
Comparando o custo total do Price versus SAC com IPGTO
Uma análise que demonstra claramente a diferença de custo entre os dois principais sistemas de amortização é calcular o total de juros pagos em cada um usando as funções do Excel. Para o sistema Price, some toda a coluna de juros gerada pelo IPGTO ou use diretamente:
Total de juros Price = =-CUMIPMT(taxa; nper; vp; 1; nper; 0)
Para o sistema SAC, a soma dos juros é calculada pela fórmula da progressão aritmética dos juros decrescentes. Compare os totais e você verá que o SAC sempre gera um total de juros menor para o mesmo prazo, taxa e valor financiado.
A diferença pode ser significativa: em um financiamento imobiliário longo de R$ 300.000 a 0,8% ao mês por 360 meses, a diferença de juros totais entre SAC e Price pode superar R$ 50.000. Essa comparação mostra que, quando possível, o SAC é sempre mais vantajoso para quem tem capacidade de pagar as parcelas iniciais maiores.
Validando a tabela de amortização com verificações simples
Depois de montar a tabela de amortização Price com IPGTO e PPGTO, é importante fazer algumas verificações para garantir que os cálculos estão corretos. A primeira verificação é confirmar que a soma das colunas de Juros e Amortização de cada linha é igual à Parcela Total calculada pelo PGTO — qualquer diferença indica erro de fórmula.
A segunda verificação é que o Saldo Final da última linha deve ser igual a zero (ou muito próximo de zero, considerando arredondamentos). Se não for zero, verifique se a fórmula do Saldo Final está deduzindo corretamente o PPGTO, e não o total da parcela.
A terceira verificação é que a soma da coluna de Amortização deve ser igual ao valor financiado original. Isso confirma que todo o principal foi amortizado ao longo do financiamento. Adicione essas verificações como células de controle fora da tabela e use formatação condicional para destacá-las em verde quando os valores estiverem corretos e em vermelho quando houver discrepância.
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