Você já precisou calcular o juro de uma parcela específica de um financiamento onde a amortização do principal é sempre igual (não a parcela total, como na Tabela Price, mas a fatia de amortização), como no Sistema de Amortização Constante (SAC)? Ou tentou usar a IPGTO para esse tipo de financiamento e percebeu que o resultado não batia com a lógica do SAC?
A função IPGTO, que já mostramos aqui no blog, calcula o juro de uma parcela assumindo que a parcela total é constante ao longo do financiamento (o sistema Price, o mais comum no Brasil). Mas existe outro sistema de amortização, o SAC, onde é a amortização do principal que fica constante, não a parcela total — e para esse caso, existe uma função mais simples e direta.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função É.PGTO para calcular o juro de uma parcela em um financiamento com amortização constante do principal.
O que é a função É.PGTO
É.PGTO (equivalente à ISPMT em inglês, de “interest straight-line payment”) calcula o valor de juros pago em um período específico de um financiamento onde a amortização do principal é distribuída igualmente ao longo de todos os períodos — o comportamento característico do Sistema de Amortização Constante (SAC).
A sintaxe é:
=É.PGTO(taxa; período; nper; vp)
- taxa: a taxa de juros por período
- período: o período específico para o qual você quer calcular o juro
- nper: o número total de parcelas do financiamento
- vp: o valor presente (o valor total financiado)
Exemplo prático
Para um financiamento de R$ 10.000, taxa de 1% ao mês, 36 parcelas, calculando o juro da terceira parcela:
=É.PGTO(0,01; 3; 36; 10000)
O resultado é -R$ 91,67 — o sinal negativo segue o mesmo padrão de saída de caixa das demais funções financeiras do Excel.

A fórmula por trás do resultado, mais simples que a IPGTO
Diferente da IPGTO, que precisa recalcular o saldo devedor remanescente considerando a parcela total constante, a É.PGTO usa uma fórmula direta: juro = −vp × taxa × (1 − período/nper). No exemplo, −10.000 × 0,01 × (1 − 3/36) = −100 × 0,9167 = −91,67. Essa simplicidade é possível justamente porque, no sistema SAC, o saldo devedor diminui de forma linear e previsível (a mesma quantia de principal amortizada a cada período), sem precisar de um cálculo iterativo período a período.
É.PGTO vs IPGTO: dois sistemas de amortização diferentes
✅ É.PGTO é para o Sistema de Amortização Constante (SAC), onde a amortização do principal é sempre igual, e a parcela total (juro + amortização) diminui ao longo do tempo
❌ IPGTO é para o Sistema de Amortização Price, onde a parcela total é sempre igual, e a composição interna entre juro e amortização muda a cada período
Essa é uma diferença fundamental entre os dois sistemas mais usados no Brasil para financiamentos de longo prazo, especialmente imobiliários: no SAC, as primeiras parcelas são maiores (mais juro) e vão diminuindo; no Price, todas as parcelas são iguais em valor nominal.
Por que o resultado da É.PGTO decresce de forma linear
Como a amortização é sempre a mesma quantia, o saldo devedor diminui de forma linear ao longo do tempo — e como o juro de cada período é calculado sobre o saldo devedor remanescente, o valor de juros também decresce de forma linear, período a período, ao contrário da curva mais suave (não linear) observada no sistema Price.
O que acontece com período igual a nper ou além
Quando período é igual a nper (a última parcela do financiamento), a fórmula retorna zero — faz sentido, já que nesse ponto o saldo devedor já foi totalmente amortizado, sem juro remanescente a pagar. Informar um período maior que nper gera um resultado positivo (sem sentido prático), já que a fórmula continua extrapolando matematicamente além do prazo real do financiamento, sem nenhuma validação interna que impeça esse uso incorreto.
Erro comum
O erro mais comum é usar a É.PGTO para calcular o juro de um financiamento no sistema Price, esperando o mesmo resultado que a IPGTO daria — os dois sistemas geram valores de juro diferentes para o mesmo período, porque a lógica de amortização é fundamentalmente diferente entre eles. Outro erro é esquecer que o argumento período aqui não é opcional nem tem faixa (como em PGTOJURACUM) — é sempre um único período específico.
Montando a tabela completa de amortização SAC com É.PGTO
Para montar uma tabela SAC completa, combine a É.PGTO (juro) com uma amortização fixa calculada separadamente (vp ÷ nper):
Amortização constante: =$B$4/$B$3 (vp dividido por nper, sempre a mesma em todas as linhas)
Juro de cada parcela: =É.PGTO($B$1; A5; $B$3; $B$4)
Parcela total: =Amortização + Juro (a soma das duas colunas anteriores)
Essa estrutura reproduz exatamente uma tabela SAC tradicional, com a amortização constante em uma coluna, o juro decrescente calculado pela É.PGTO em outra, e a parcela total (decrescente) na terceira.
Comparando visualmente SAC e Price na mesma planilha
Uma forma didática de entender a diferença entre os dois sistemas é montar as duas tabelas de amortização lado a lado na mesma planilha — uma coluna usando É.PGTO (SAC) e outra usando IPGTO (Price), ambas para o mesmo financiamento (mesmo valor, taxa e prazo). O resultado mostra visualmente que o SAC começa com parcelas maiores que o Price, cruza em algum ponto intermediário, e termina com parcelas menores — enquanto o total de juros pagos ao longo de todo o financiamento é sempre menor no SAC.
Disponibilidade
É.PGTO está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, É.PGTO.
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Seu financiamento (imobiliário ou de outro tipo) usa o sistema SAC ou Price? Ficou clara a diferença entre as duas funções de juros? Conta para nós nos comentários!