Você já sabia quanto investiu, quanto quer ter no final, e em quantos períodos — mas precisava descobrir qual taxa de juros composta faria isso acontecer? Ou já testou várias taxas manualmente na função VF até achar uma que batesse aproximadamente com sua meta, sem uma forma direta de calcular a taxa exata?
Já mostramos aqui no blog a função DURAÇÃOP, que calcula quantos períodos são necessários para um investimento atingir um valor futuro, dada uma taxa fixa. Existe uma função irmã que resolve o problema complementar: dado o número de períodos, qual taxa de juros é necessária para atingir o valor futuro desejado.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função TAXAJURO para calcular a taxa de juros necessária para um investimento crescer até um valor específico, em um número definido de períodos.
O que é a função TAXAJURO
TAXAJURO (equivalente à RRI em inglês, de “rate of return”) calcula a taxa de juros composta por período necessária para que um valor presente cresça até um valor futuro específico, em um número definido de períodos.
A sintaxe é:
=TAXAJURO(nper; vp; vf)
- nper: o número de períodos disponíveis para o crescimento acontecer
- vp: o valor presente (o valor inicial investido)
- vf: o valor futuro desejado
Exemplo prático
Para saber qual taxa de juros por período é necessária para um investimento de R$ 1.000 crescer até R$ 1.500 em 5 períodos:
=TAXAJURO(5; 1000; 1500)
O resultado é 8,45% por período — se os períodos forem anos, essa é a taxa anual composta necessária para o investimento crescer 50% em 5 anos.

A fórmula por trás do resultado
O cálculo da TAXAJURO usa uma raiz para “isolar” a taxa na fórmula de juros compostos: taxa = (vf ÷ vp)^(1 ÷ nper) − 1. No exemplo, (1500 ÷ 1000)^(1/5) − 1 = 1,5^0,2 − 1 ≈ 0,0845, ou 8,45%. É o mesmo raciocínio matemático usado pela DURAÇÃOP, só que isolando a taxa em vez do número de períodos.
TAXAJURO vs DURAÇÃOP: qual variável você já conhece
✅ Use DURAÇÃOP quando você já sabe a taxa de retorno esperada e quer saber quanto tempo vai levar para atingir a meta
✅ Use TAXAJURO quando você já tem um prazo fixo (um número de períodos definido) e quer saber qual taxa é necessária para atingir a meta dentro desse prazo
Usando TAXAJURO para avaliar se uma meta é realista
Um uso muito prático dessa função é testar se uma meta financeira é realista dentro de um prazo específico. Se a TAXAJURO retornar uma taxa muito acima do que investimentos disponíveis no mercado costumam oferecer, isso é um sinal de que a meta, no prazo definido, provavelmente não é alcançável só com rendimento de juros — seria necessário reduzir a meta, aumentar o prazo, ou complementar com aportes adicionais ao longo do caminho.
TAXAJURO vs TAXA: qual usar
Existe uma sobreposição parcial com a função TAXA, que também calcula taxa de juros, mas para investimentos com aportes periódicos além do valor inicial. A TAXAJURO é mais simples e serve especificamente para um único valor investido de uma vez, sem nenhum aporte adicional — se você precisa considerar aportes mensais na meta, a função correta é a TAXA, não a TAXAJURO.
Usando TAXAJURO para avaliar propostas de investimento com retorno prometido
Ao receber uma proposta de investimento que promete transformar um valor em outro dentro de um prazo específico, a TAXAJURO ajuda a traduzir essa promessa em uma taxa de juros anual comparável com outras opções conhecidas do mercado — se a taxa implícita calculada estiver muito acima do que investimentos legítimos costumam oferecer para o mesmo nível de risco, isso é um sinal de alerta que merece investigação mais cuidadosa antes de qualquer decisão.
Erro comum
O erro mais comum é usar a TAXAJURO para simular um investimento com aportes periódicos, esperando que ela leve isso em conta — como mostrado acima, essa função só funciona para um único valor inicial crescendo sozinho. Outro erro é esquecer que o resultado vem na mesma unidade de tempo do argumento nper — se nper está em meses, o resultado é uma taxa mensal, não anual.
Montando uma tabela comparando diferentes prazos
Para visualizar como a taxa necessária muda conforme o prazo disponível, monte uma tabela variando o número de períodos:
=TAXAJURO(A5; $B$2; $B$3)
Onde A5 contém diferentes valores de nper (3, 5, 7, 10) em células adjacentes. O resultado mostra a relação inversa esperada: quanto mais tempo disponível, menor a taxa necessária para atingir a mesma meta — e quanto menos tempo, maior a taxa exigida, podendo rapidamente chegar a patamares irreais se o prazo for curto demais para a meta desejada.
Verificando o resultado com VF
Uma boa prática ao usar a TAXAJURO é conferir o resultado aplicando-o de volta na função VF, com os mesmos vp e nper, e verificar se o valor futuro resultante bate com o vf original:
=VF(TAXAJURO(nper; vp; vf); nper; 0; -vp)
Se o resultado dessa fórmula combinada não bater exatamente com o vf original, algum argumento foi informado de forma inconsistente entre as duas fórmulas.
Combinando TAXAJURO com metas de curto e longo prazo na mesma planilha
Uma planilha de planejamento financeiro pessoal pode usar a TAXAJURO em várias linhas simultaneamente, uma para cada meta (reserva de emergência, entrada de imóvel, aposentadoria), cada uma com seu próprio valor presente, valor futuro desejado e prazo disponível — permitindo visualizar de forma consolidada quais metas exigem taxas realistas e quais exigiriam um retorno fora do alcance de investimentos convencionais, ajudando a priorizar ajustes de prazo ou de valor investido.
Disponibilidade
TAXAJURO está disponível no Excel 2013 em diante, incluindo 365, 2021, 2019, Mac e Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, TAXAJURO.
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Você já tinha uma meta financeira com prazo fixo e queria saber qual taxa precisaria conseguir? Ficou clara a diferença entre TAXAJURO e DURAÇÃOP? Conta para nós nos comentários!