5 Erros Comuns na Função IPGTO do Excel (e Como Evitar Cada Um)

Você já calculou o juro de uma parcela específica com a função IPGTO e o valor não batia com o boleto real do financiamento? Ou tentou montar uma tabela de amortização completa e os valores de juro pareciam decrescer de forma estranha, sem seguir o padrão esperado?

Já mostramos aqui no blog como usar IPGTO e PPGTO para montar uma tabela de amortização Price. A função IPGTO especificamente calcula a parte de juros de uma parcela, mas alguns detalhes de configuração costumam gerar resultados incorretos, principalmente quando a fórmula é copiada para várias linhas de uma tabela.

Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função IPGTO, e como identificar e corrigir cada um deles.

Erro 1: usar a IPGTO para um financiamento no sistema SAC

O erro conceitual mais comum é aplicar a IPGTO em um financiamento no Sistema de Amortização Constante (SAC), esperando o mesmo resultado que teria no sistema Price — a IPGTO assume que a parcela total é constante (Price), não a amortização. Para o SAC, a função correta é a É.PGTO, que já mostramos aqui no blog, com uma lógica de cálculo diferente.

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Erro 2: referência relativa na célula de período ao copiar a fórmula

Ao montar uma tabela de amortização completa, um erro comum é deixar a referência ao período (a célula com o número da parcela) como relativa junto com os demais argumentos, mas esquecer de fixar com $ os argumentos de taxa, nper e vp — isso faz a fórmula “deslizar” incorretamente ao ser copiada para baixo, usando valores errados de taxa ou valor financiado em cada linha.

Errado ao copiar: =IPGTO(B1; A5; B2; B3) sem fixar B1, B2, B3
Correto: =IPGTO($B$1; A5; $B$2; $B$3) com os argumentos fixos

Tabela mostrando o efeito de referências não fixadas ao copiar a fórmula IPGTO para baixo

Erro 3: informar período fora do intervalo válido

Informar um valor de período menor que 1 ou maior que nper gera o erro #NÚM! — um erro fácil de cometer ao arrastar a fórmula além do número real de parcelas do financiamento, especialmente em planilhas onde a coluna de período foi criada com mais linhas do que o necessário.

Erro 4: esquecer que o resultado decresce, não é constante

Diferente da parcela total (PGTO), que é sempre igual no sistema Price, o resultado da IPGTO diminui a cada período — é comum alguém montar uma tabela, ver os valores decrescendo, e achar que há um erro na fórmula, quando na verdade esse é o comportamento correto e esperado: o juro incide sobre um saldo devedor cada vez menor.

Erro 5: misturar unidades de tempo entre taxa e período

Assim como em outras funções financeiras, usar uma taxa anual com um período contado em meses (ou vice-versa) produz um resultado incorreto sem gerar nenhum aviso de erro — taxa, período e nper sempre precisam estar na mesma unidade de tempo entre si.

Erro 6: esquecer o valor residual (vf) em financiamentos com parcela balão

Assim como acontece com a PGTO e a TAXA, financiamentos com parcela final maior (balão) precisam ter esse valor informado no argumento vf da IPGTO — ignorá-lo faz o Excel calcular a composição de juros e amortização como se o saldo devedor precisasse zerar completamente ao final, distorcendo o resultado de cada parcela intermediária.

Conferindo a soma de todas as parcelas de juros

Uma boa forma de validar se uma tabela de amortização com IPGTO está correta é somar os valores de juros de todas as parcelas e comparar com o resultado da PGTOJURACUM para o intervalo completo (do período 1 até nper) — se os dois totais não baterem, algum dos erros listados acima provavelmente está presente em alguma linha da tabela.

Como evitar esses erros de forma sistemática

Antes de considerar pronta uma tabela de amortização com IPGTO, vale confirmar três coisas: se o sistema de amortização do financiamento realmente é Price (não SAC), se as referências de taxa, nper e vp estão fixadas com $ para não deslizar ao copiar a fórmula, e se a coluna de período não ultrapassa o número real de parcelas do financiamento.

Erro 7: aplicar a fórmula em um financiamento com taxa variável

A IPGTO assume uma taxa de juros fixa do início ao fim do financiamento — se o contrato tem taxa pós-fixada ou variável (revisada periodicamente), a IPGTO calculada com a taxa atual só é válida até a próxima revisão de taxa, e a tabela de amortização inteira precisaria ser refeita a partir daquele ponto, usando a nova taxa e o novo saldo devedor remanescente como novo ponto de partida.

Usando formatação condicional para detectar valores fora do padrão

Uma forma prática de pegar erros de referência não fixada em uma tabela de amortização grande é aplicar formatação condicional destacando qualquer linha onde o valor de juros seja maior que o da linha anterior — no sistema Price, o juro deveria sempre decrescer de uma parcela para a próxima, então qualquer aumento sinaliza um problema na fórmula daquela linha específica.

Diferenciando erro de fórmula de arredondamento normal

Vale notar que pequenas diferenças de centavos entre o resultado da IPGTO e um boleto real do banco não são necessariamente um erro de fórmula — instituições financeiras costumam arredondar valores intermediários de formas ligeiramente diferentes da precisão total mantida pelo Excel, o que gera diferenças residuais de poucos centavos ao longo de um financiamento longo, sem que isso indique nenhum problema na fórmula em si.

Disponibilidade

IPGTO está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, IPGTO.

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Você já teve uma tabela de amortização com valores estranhos por causa de referência não fixada? Descobriu qual desses erros era o culpado? Conta para nós nos comentários!

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