Você já precisou saber quanto do saldo devedor de um financiamento você realmente quitou no primeiro ano, separado do que foi pago só de juros? Ou queria saber quanto ainda falta amortizar depois de um número específico de parcelas pagas, sem montar uma tabela de amortização completa?
Assim como mostramos no artigo sobre PGTOJURACUM, que soma o total de juros pagos em um intervalo de parcelas, existe uma função irmã que faz a mesma coisa para a parte de amortização do principal — a parcela do pagamento que efetivamente reduz o saldo devedor, não os juros sobre ele.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função PGTOCAPACUM para calcular o total de principal amortizado entre dois períodos específicos de um financiamento.
O que é a função PGTOCAPACUM
PGTOCAPACUM (equivalente à CUMPRINC em inglês, de “cumulative principal”) calcula a soma da parte de amortização do principal (não incluindo juros) das parcelas pagas entre um período inicial e um período final de um financiamento com parcelas fixas.
A sintaxe é:
=PGTOCAPACUM(taxa; nper; vp; período_inicial; período_final; tipo)
- taxa: a taxa de juros por período
- nper: o número total de parcelas do financiamento
- vp: o valor presente (o valor total financiado)
- período_inicial: a primeira parcela do intervalo que você quer somar
- período_final: a última parcela do intervalo que você quer somar
- tipo: 0 se os pagamentos são feitos no final de cada período, 1 se no início
Exemplo prático
Para o mesmo financiamento usado no artigo sobre PGTOJURACUM — R$ 10.000, taxa de 1% ao mês, 36 parcelas, pagamentos no final do mês — calculando o total de principal amortizado nos primeiros 12 meses:
=PGTOCAPACUM(0,01; 36; 10000; 1; 12; 0)
O resultado é -R$ 2.944,16 — o valor da dívida efetivamente quitado no primeiro ano, sem contar os juros pagos separadamente.

A relação entre PGTOCAPACUM e PGTOJURACUM
Somando os resultados das duas funções para o mesmo intervalo, você sempre chega no total efetivamente pago naquele período (a soma de todas as parcelas do intervalo):
PGTOJURACUM + PGTOCAPACUM = Total pago no intervalo
No exemplo, -1.041,56 + (-2.944,16) = -3.985,72, que corresponde exatamente à soma de 12 parcelas de -332,14 cada (o valor da parcela fixa calculada pela função PGTO para esse mesmo financiamento). Conferir essa igualdade é uma boa forma de validar se os argumentos das duas funções estão consistentes entre si.
Por que a amortização do principal cresce ao longo do tempo
Diferente dos juros (que diminuem a cada parcela), a parte de amortização do principal cresce ao longo da vida do financiamento — já que a parcela total é fixa, e a fatia de juros vai encolhendo (porque incide sobre um saldo devedor cada vez menor), a fatia que sobra para amortização precisa crescer proporcionalmente para manter a parcela constante. É por isso que o total de principal amortizado no último ano de um financiamento é sempre maior que o do primeiro ano, mesmo com o mesmo número de parcelas.
PGTOCAPACUM vs PPGTO isolado
✅ PGTOCAPACUM é mais rápida para somar a amortização de várias parcelas de um intervalo de uma vez
❌ PPGTO ainda é necessária quando você precisa do valor de amortização de uma parcela isolada, específica
Usando PGTOCAPACUM para saber o saldo devedor restante
Uma aplicação prática é calcular quanto do saldo devedor original ainda falta pagar depois de um certo número de parcelas: some o vp original ao resultado (negativo) da PGTOCAPACUM para o intervalo já pago (do período 1 até a parcela atual), e o resultado será o saldo devedor restante naquele momento — útil para simular uma quitação antecipada ou renegociação no meio do contrato.
Recapitulando as quatro funções desta série
Com esse artigo, fecha-se o conjunto de quatro funções sobre juros acumulados e amortização apresentadas nesta série: JUROSACUM e JUROSACUMV tratam de juros acumulados em títulos de renda fixa, enquanto PGTOJURACUM e PGTOCAPACUM tratam da composição interna das parcelas de um financiamento com pagamentos fixos — dois universos financeiros diferentes (títulos e empréstimos), mas com uma lógica de acumulação em intervalo bastante parecida entre si.
Erro comum
O erro mais comum, assim como na PGTOJURACUM, é usar taxa e nper em unidades de tempo diferentes (por exemplo, taxa anual com nper em meses) — os dois argumentos sempre precisam estar na mesma base de tempo. Outro erro é esquecer que o resultado vem negativo (seguindo a convenção de saída de caixa), o que pode causar confusão em fórmulas que somam esse resultado com outros valores positivos sem ajustar o sinal.
Montando uma tabela comparando amortização ano a ano
Assim como fizemos com a PGTOJURACUM, vale montar uma tabela somando a amortização de cada ano separadamente:
=PGTOCAPACUM($B$1; $B$2; $B$3; A5; A5+11; $B$6)
Onde A5 contém o primeiro mês de cada ano (1, 13, 25…). O resultado mostra a curva crescente de amortização, espelhando exatamente a curva decrescente de juros mostrada no artigo sobre PGTOJURACUM — as duas curvas, somadas ano a ano, sempre resultam no mesmo total de parcelas pagas naquele ano, mesmo com a composição interna mudando ao longo do tempo.
Usando PGTOCAPACUM para avaliar o impacto de uma amortização extraordinária
Ao simular o efeito de um pagamento extra (amortização extraordinária) em um financiamento, a PGTOCAPACUM ajuda a visualizar quanto tempo a mais (ou a menos) seria necessário para quitar o saldo devedor, comparando o ritmo normal de amortização com o ritmo acelerado após o pagamento extra — uma análise útil para decidir se vale a pena usar uma reserva financeira para antecipar parte de uma dívida.
Disponibilidade
PGTOCAPACUM está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, PGTOCAPACUM.
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Ficou clara a relação entre PGTOCAPACUM e PGTOJURACUM? Vai usar essas funções para simular uma quitação antecipada de algum financiamento seu? Conta para nós nos comentários!