Você já precisou saber quanto de juros você vai pagar no primeiro ano de um financiamento, ou entre dois meses específicos, sem precisar montar uma tabela de amortização completa parcela por parcela? Ou já usou a função IPGTO para calcular o juro de um mês isolado, e queria somar vários meses de uma vez, sem precisar copiar a fórmula linha por linha e depois somar tudo?
Já mostramos aqui no blog como a função IPGTO calcula o valor de juros de uma parcela específica de um financiamento. Mas quando você precisa do total de juros pagos em um intervalo de parcelas — o primeiro ano inteiro, por exemplo, ou os primeiros 24 meses — somar manualmente célula por célula é trabalhoso. Existe uma função que já entrega esse total direto.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função PGTOJURACUM para calcular o total de juros pagos entre dois períodos específicos de um financiamento ou investimento com parcelas fixas.
O que é a função PGTOJURACUM
PGTOJURACUM (equivalente à CUMIPMT em inglês, de “cumulative interest payment”) calcula a soma do valor de juros pago entre um período inicial e um período final de um financiamento com parcelas fixas e taxa de juros constante.
A sintaxe é:
=PGTOJURACUM(taxa; nper; vp; período_inicial; período_final; tipo)
- taxa: a taxa de juros por período (mesma unidade de tempo usada em nper)
- nper: o número total de parcelas do financiamento
- vp: o valor presente (o valor total financiado)
- período_inicial: a primeira parcela do intervalo que você quer somar
- período_final: a última parcela do intervalo que você quer somar
- tipo: 0 se os pagamentos são feitos no final de cada período, 1 se no início
Exemplo prático
Para um financiamento de R$ 10.000, taxa de 1% ao mês, 36 parcelas mensais, pagamentos no final de cada mês (tipo 0), calculando o total de juros pagos nos primeiros 12 meses:
=PGTOJURACUM(0,01; 36; 10000; 1; 12; 0)
O resultado é -R$ 1.041,56 — o sinal negativo é o mesmo padrão de saída de dinheiro usado pelas demais funções financeiras do Excel (PGTO, IPGTO, PPGTO), representando uma despesa.

Por que o valor de juros é maior no início do financiamento
Repare que, em um financiamento com parcelas fixas (Tabela Price), o valor de juros pago é sempre maior nos primeiros meses e vai diminuindo ao longo do tempo — mesmo com a parcela total constante, a composição interna entre juros e amortização do principal muda a cada mês. Isso acontece porque o juro de cada parcela é calculado sobre o saldo devedor restante, que é maior no início e vai encolhendo conforme o financiamento avança. É por isso que o total de juros pagos no primeiro ano é sempre maior que o total pago no último ano, mesmo com o mesmo número de parcelas em cada intervalo.
PGTOJURACUM vs somar IPGTO manualmente
✅ PGTOJURACUM é mais rápida e direta para somar juros de um intervalo de várias parcelas de uma vez
❌ IPGTO ainda é necessária quando você precisa do valor de juros de uma parcela isolada, específica, em vez de um total somado de várias parcelas
PGTOJURACUM vs PGTOCAPACUM: juros ou principal
A PGTOJURACUM soma apenas a parte de juros das parcelas no intervalo escolhido. A função irmã PGTOCAPACUM soma a parte de amortização do principal no mesmo intervalo — juntas, as duas sempre somam exatamente o total de parcelas pagas naquele período (PGTOJURACUM + PGTOCAPACUM = soma das parcelas do intervalo).
Usando o resultado para efeitos de dedução no Imposto de Renda
Em alguns tipos de financiamento imobiliário, a parcela de juros paga pode ter tratamento fiscal específico, dependendo da legislação vigente e do tipo de operação. A PGTOJURACUM ajuda a isolar rapidamente o total de juros pagos em um período fiscal específico (por exemplo, um ano-calendário), servindo como ponto de partida para conferir declarações ou levantamentos fiscais — sempre importante confirmar com um contador as regras específicas aplicáveis a cada caso antes de usar esse valor diretamente em uma declaração.
Erro comum
O erro mais comum é usar uma taxa anual em um financiamento com parcelas mensais, sem converter para a taxa mensal equivalente — taxa e nper precisam sempre estar na mesma unidade de tempo (ambos mensais, ou ambos anuais). Outro erro é inverter período_inicial e período_final, ou usar um período_inicial menor que 1 ou um período_final maior que nper, o que gera o erro #NÚM!.
Montando uma tabela comparando juros pagos ano a ano
Para visualizar como o total de juros pagos diminui ao longo da vida do financiamento, monte uma tabela somando os juros de cada ano separadamente:
=PGTOJURACUM($B$1; $B$2; $B$3; A5; A5+11; $B$6)
Onde A5 contém o primeiro mês de cada ano (1, 13, 25…) e a fórmula soma os 12 meses seguintes. O resultado mostra claramente a curva decrescente de juros pagos por ano, útil para entender o impacto real de uma quitação antecipada — quanto mais cedo o financiamento é quitado, maior a proporção de juros “economizados” em relação ao total que seria pago se o contrato seguisse até o fim.
Usando PGTOJURACUM para comparar o custo total de dois financiamentos
Uma aplicação prática é comparar duas propostas de financiamento com taxas e prazos diferentes, calculando o total de juros pagos ao longo de toda a vida de cada uma (período_inicial=1, período_final=nper) — isso dá uma visão clara de qual proposta é realmente mais barata no total, além da comparação simples de taxa de juros anunciada, que sozinha nem sempre reflete o custo total real do financiamento.
Disponibilidade
PGTOJURACUM está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, PGTOJURACUM.
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Você já precisou saber quanto de juros pagou no primeiro ano de um financiamento seu? Vai usar essa função para conferir algum contrato específico? Conta para nós nos comentários!