Você já calculou o VPL de um projeto e o resultado saiu completamente diferente do esperado, mesmo com os fluxos de caixa aparentemente certos? Ou incluiu o investimento inicial dentro da série de valores da VPL e o resultado ficou estranho, sem entender o motivo?
Já mostramos aqui no blog como calcular o VPL para avaliar a viabilidade de um projeto. Apesar de parecer simples, a VPL tem uma armadilha muito específica e recorrente, além de outros erros de interpretação que confundem até quem já usa a função com frequência.
Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função VPL, e como identificar e corrigir cada um deles.
Erro 1: incluir o investimento inicial dentro do intervalo da VPL
Esse é, disparado, o erro mais comum e mais importante de entender: a função VPL desconta todos os valores do intervalo, incluindo o primeiro, como se ele acontecesse um período no futuro — mas o investimento inicial de um projeto normalmente acontece hoje (período zero), sem nenhum desconto a aplicar. Incluir o investimento dentro do intervalo da VPL desconta esse valor incorretamente, distorcendo o resultado.
Errado: =VPL(0,1; -1000; 300; 400; 500; 600)
Correto: =-1000 + VPL(0,1; 300; 400; 500; 600) — o investimento somado fora da função, sem desconto

Erro 2: esquecer que a VPL assume fluxos ao final de cada período
A função VPL desconta o primeiro valor do intervalo como se ele acontecesse ao final do primeiro período, não no início — se o primeiro fluxo de caixa da série (depois do investimento inicial, já tratado separadamente) na verdade acontece imediatamente, ele deveria entrar como o investimento, somado fora da fórmula, não como o primeiro elemento do intervalo.
Erro 3: deixar células vazias no meio do intervalo
Ao selecionar o intervalo de valores para a VPL, uma célula vazia no meio da série é simplesmente ignorada pela função — ela não conta como um fluxo de caixa zero naquele período, e sim é pulada, o que desloca todos os períodos seguintes para trás incorretamente. Se um período realmente teve fluxo de caixa zero, é importante digitar explicitamente o número 0 na célula, não deixá-la vazia.
Erro 4: usar a mesma taxa de desconto para todos os cenários sem justificativa
Um erro de análise (não de fórmula) é sempre usar a mesma taxa de desconto genérica para qualquer projeto avaliado, sem considerar que projetos com riscos diferentes deveriam usar taxas de desconto diferentes — um projeto mais arriscado merece uma taxa de desconto mais alta, refletindo o retorno mínimo exigido para compensar esse risco adicional.
Erro 5: comparar VPLs de projetos com investimentos iniciais muito diferentes
Assim como acontece com a TIR, comparar diretamente o VPL de dois projetos com escalas de investimento muito diferentes pode enganar — um projeto que exige um investimento dez vezes maior naturalmente tende a gerar um VPL maior em termos absolutos, mesmo sendo proporcionalmente menos eficiente. Nesses casos, vale complementar a análise com um índice de lucratividade (VPL dividido pelo investimento inicial) para uma comparação mais justa.
Erro 6: usar VPL para fluxos de caixa com datas irregulares
A VPL assume que todos os períodos têm o mesmo tamanho (mensal, anual, o que for) — se os fluxos de caixa reais acontecem em datas irregulares, sem intervalos uniformes, a função correta é a XVPL, que aceita uma data específica para cada fluxo, não a VPL.
Erro 7: confundir VPL positivo com “projeto lucrativo” sem contexto
Um VPL positivo significa que o projeto gera retorno acima da taxa de desconto usada — mas isso não significa automaticamente que é a melhor opção disponível. Se existir outro projeto com VPL ainda maior, mas os recursos disponíveis só permitem escolher um deles, aceitar o primeiro projeto positivo sem comparar com as alternativas disponíveis é um erro de decisão, mesmo com a fórmula matematicamente correta.
Testando a fórmula com taxa zero como conferência
Assim como sugerimos para a VP, testar temporariamente a VPL com taxa de desconto igual a zero é uma boa forma de conferir a estrutura da fórmula — nesse caso, o resultado deveria ser exatamente a soma simples de todos os fluxos futuros (sem o investimento inicial, que continua fora da função), sem nenhum desconto aplicado.
Como evitar esses erros de forma sistemática
Antes de considerar pronto um resultado de VPL, vale confirmar três coisas: se o investimento inicial foi somado fora da função (não descontado como os demais fluxos), se não há células vazias representando incorretamente períodos com fluxo zero, e se a taxa de desconto escolhida realmente reflete o risco específico daquele projeto.
Erro 8: não fazer uma análise de sensibilidade da taxa de desconto
Como o resultado da VPL é bastante sensível à taxa de desconto escolhida, apresentar só um único valor de VPL, calculado com uma taxa fixa, sem mostrar como o resultado mudaria com taxas um pouco mais altas ou mais baixas, é um erro de comunicação da análise — mesmo que a fórmula esteja tecnicamente correta, essa apresentação simplificada pode esconder o quão sensível a decisão realmente é à taxa escolhida.
Recapitulando o erro mais importante desta lista
Se você só levar uma coisa deste artigo, que seja o Erro 1: nunca inclua o investimento inicial dentro do intervalo passado para a função VPL. Esse erro sozinho é responsável pela maior parte dos resultados incorretos que aparecem em planilhas de avaliação de projetos, e é também o mais fácil de corrigir uma vez identificado — basta mover o investimento inicial para fora da função, somando-o diretamente ao resultado.
Disponibilidade
VPL está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, VPL.
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Você já cometeu o erro de incluir o investimento inicial dentro da VPL antes de aprender essa diferença? Descobriu qual desses erros era o culpado em alguma análise sua? Conta para nós nos comentários!