6 Erros Comuns na Função VP do Excel (e Como Evitar Cada Um)

Você já usou a função VP para descobrir quanto vale hoje uma série de pagamentos futuros, e o resultado saiu com o sinal errado ou um valor completamente fora do esperado? Ou tentou avaliar uma proposta de financiamento com VP e não tinha certeza se estava interpretando o resultado corretamente?

Já mostramos aqui no blog como usar a função VP para calcular o valor presente de uma série de pagamentos. Mas essa função tem algumas armadilhas específicas que confundem até quem já está familiarizado com o conceito básico de valor presente.

Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função VP, e como identificar e corrigir cada um deles.

Erro 1: interpretar o sinal do resultado ao contrário

Como o argumento pgto costuma ser informado como positivo (representando um recebimento futuro, como uma parcela de aluguel ou pensão), o resultado da VP sai negativo — o Excel trata o valor presente calculado como o “custo” equivalente hoje daquela série de recebimentos futuros. Isso confunde muita gente, que espera um resultado positivo por padrão.

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=VP(0,01; 12; 500) retorna um valor negativo, mesmo representando algo positivo (uma série de recebimentos) — o sinal é só uma convenção de fluxo de caixa, não um indicativo de “resultado ruim”.

Erro 2: comparar VP de propostas com prazos diferentes sem ajustar para o mesmo horizonte

Um erro comum ao comparar duas propostas financeiras é calcular a VP de cada uma isoladamente, sem se atentar para se os prazos (nper) das duas são realmente comparáveis — comparar o valor presente de uma série de pagamentos de 5 anos com outra de 10 anos, sem contexto adicional, pode levar a uma conclusão equivocada sobre qual proposta é mais vantajosa.

Tabela comparando o valor presente de duas propostas com prazos e taxas diferentes

Erro 3: usar a taxa de desconto errada

O resultado da VP é extremamente sensível à taxa de desconto usada — uma taxa mais alta reduz bastante o valor presente calculado, enquanto uma taxa mais baixa o aumenta. Usar uma taxa de desconto genérica (por exemplo, a Selic atual) sem considerar o risco específico do fluxo de caixa que está sendo avaliado é um erro comum que distorce a análise, especialmente em fluxos de risco mais alto, que deveriam usar uma taxa de desconto maior para refletir esse risco adicional.

Erro 4: esquecer o argumento vf ao avaliar um fluxo com valor residual

Se a série de pagamentos avaliada termina com um valor residual (por exemplo, um contrato de leasing que prevê um valor de compra ao final), esquecer de incluir esse valor no argumento vf da função VP subestima o valor presente real — a VP calcula corretamente o valor presente dos pagamentos periódicos, mas ignora completamente qualquer valor final se o argumento vf não for preenchido.

Erro 5: confundir VP com uma soma simples dos pagamentos futuros

Um erro conceitual (não de sintaxe) é esperar que o resultado da VP seja próximo da soma simples de todos os pagamentos futuros, sem trazê-los a valor presente — quanto mais alta a taxa de desconto e mais longo o prazo, maior a diferença entre a soma simples e o valor presente real. Para prazos longos com taxas de desconto relevantes, essa diferença pode ser bastante significativa, e ignorá-la é um erro de análise, não só de fórmula.

Erro 6: usar VP para um fluxo de caixa irregular

A função VP assume pagamentos periódicos iguais entre si (uma anuidade) — se o fluxo de caixa real tem valores diferentes em cada período, usar a VP com um valor de pgto “médio” produz um resultado impreciso. Nesses casos, o caminho correto é a função VPL, que aceita uma série de valores diferentes, célula por célula.

Erro 7: esquecer de ajustar o argumento tipo em pagamentos antecipados

Assim como na VF, o argumento tipo da VP também assume por padrão que os pagamentos acontecem no final de cada período. Contratos que exigem pagamento antecipado (no início do período, como muitos aluguéis) precisam do argumento tipo ajustado para 1 — esquecer esse ajuste faz o valor presente calculado ficar ligeiramente menor que o real, já que cada pagamento antecipado tem um período a menos de desconto aplicado sobre ele.

Testando a fórmula com taxa zero como conferência

Uma forma rápida de conferir se uma fórmula de VP está estruturalmente correta é testá-la temporariamente com taxa igual a zero — nesse caso, o resultado deveria ser exatamente a soma simples de todos os pagamentos (mais o valor residual, se houver), sem nenhum desconto aplicado. Se esse teste não bater com a soma esperada, algum argumento da fórmula está incorreto, antes mesmo de considerar o efeito da taxa de desconto real.

Como evitar esses erros de forma sistemática

Antes de considerar pronta qualquer fórmula de VP, vale confirmar três coisas: se a taxa de desconto escolhida reflete adequadamente o risco do fluxo de caixa avaliado, se todos os pagamentos realmente são iguais entre si (caso contrário, use VPL), e se algum valor residual final (vf) precisa ser incluído na conta.

Erro 8: não considerar a inflação ao escolher a taxa de desconto

Ao avaliar fluxos de caixa de longo prazo, um erro sutil é usar uma taxa de desconto nominal (que já inclui inflação) em um fluxo de caixa expresso em valores reais (já descontada a inflação), ou vice-versa — misturar essas duas convenções gera um valor presente distorcido, para cima ou para baixo dependendo da direção do erro. A regra geral é: fluxo nominal com taxa nominal, fluxo real com taxa real, nunca misturar as duas convenções na mesma conta.

Disponibilidade

VP está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, VP.

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Você já cometeu algum desses erros em uma análise sua? Qual desses erros você acha que é o mais fácil de passar despercebido em uma planilha grande? Conta para nós nos comentários!

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