Você já usou a função TAXA para descobrir a taxa de juros embutida em um financiamento, e o Excel retornou o erro #NÚM! sem explicação clara? Ou o resultado saiu um número estranho, muito diferente do que fazia sentido para o contrato analisado?
Já mostramos aqui no blog como usar a função TAXA para descobrir a taxa de juros de um financiamento. Diferente de outras funções financeiras, a TAXA calcula seu resultado por aproximação sucessiva internamente, o que a torna mais sujeita a um tipo específico de erro que as demais funções não têm.
Neste artigo vamos mostrar os erros mais comuns cometidos ao usar a função TAXA, e como identificar e corrigir cada um deles.
Erro 1: erro #NÚM! por falta de convergência
Esse é o erro mais característico da função TAXA, e acontece quando o processo de aproximação sucessiva interno não consegue encontrar uma solução dentro do número máximo de tentativas. Isso costuma acontecer quando os sinais de vp e pgto estão errados (ambos positivos, ou ambos negativos), ou quando o argumento estimativa (o “chute inicial” da taxa) está muito distante do valor real.
Como corrigir: confira primeiro os sinais de vp e pgto (devem ser opostos), e se o erro persistir, informe um valor de estimativa mais próximo do esperado, como =TAXA(nper; pgto; vp; ; ; 0,01) para sugerir 1% como ponto de partida.
Erro 2: esquecer os sinais opostos entre vp e pgto
Assim como em outras funções financeiras, vp (o valor financiado) e pgto (a parcela paga) precisam ter sinais opostos — um representando entrada de caixa, outro saída. Usar os dois com o mesmo sinal é a causa mais comum do erro #NÚM! mencionado acima.
Errado: =TAXA(36; 664,29; 20000)
Correto: =TAXA(36; -664,29; 20000)

Erro 3: interpretar o resultado na unidade de tempo errada
O resultado da TAXA vem sempre na mesma unidade de tempo usada no argumento nper — se nper conta parcelas mensais, o resultado é uma taxa mensal, não anual. Um erro comum é pegar esse resultado mensal e informá-lo diretamente como se fosse a taxa anual do contrato, subestimando bastante o custo real. Para converter para taxa efetiva anual, use a função EFETIVA sobre o resultado, considerando 12 capitalizações por ano.
Erro 4: usar TAXA para conferir uma proposta com taxas cobradas fora do fluxo declarado
Se o contrato tem taxas ou seguros embutidos que não aparecem explicitamente nos valores de pgto informados na fórmula (por exemplo, um seguro cobrado à parte, mas que efetivamente sai do bolso do contratante), a TAXA calculada não vai refletir o custo real total do contrato — só a taxa de juros pura sobre o fluxo de caixa que foi efetivamente informado na fórmula.
Erro 5: esperar um resultado único quando o fluxo é mais complexo
Embora menos comum que na TIR (onde múltiplas raízes matemáticas válidas podem existir para fluxos que mudam de sinal mais de uma vez), a TAXA também pode, em situações raras com muitos argumentos preenchidos de forma incomum, convergir para uma solução matematicamente válida mas sem sentido prático. Nesses casos, testar diferentes valores de estimativa ajuda a confirmar se o resultado encontrado é realmente o esperado.
Erro 6: esquecer de considerar o valor residual (vf) em contratos com parcela balão
Assim como na PGTO, contratos com uma parcela final maior (balão) precisam incluir esse valor no argumento vf da TAXA — se esse residual for ignorado, o Excel tenta encontrar uma taxa que zere completamente o saldo devedor ao final, o que produz um resultado incorreto para contratos que na verdade preveem esse valor residual explicitamente.
Testando manualmente se a taxa encontrada faz sentido
Depois de calcular a TAXA, uma boa prática de conferência é aplicar esse resultado de volta na função PGTO, com os mesmos nper e vp, e verificar se a parcela calculada bate com o valor real do contrato que você está tentando decifrar. Se não bater, algum dos erros listados acima provavelmente está presente, ou algum argumento (como vf) está faltando na fórmula original.
Como evitar esses erros de forma sistemática
Antes de considerar pronto um resultado de TAXA, vale confirmar três coisas: se os sinais de vp e pgto são opostos, se a unidade de tempo do resultado (mensal, anual) está sendo interpretada corretamente no contexto da análise, e se o fluxo de caixa informado realmente reflete todos os custos do contrato, não só a parcela de juros e principal.
Por que a TAXA precisa de aproximação sucessiva, diferente de PGTO ou VP
Vale entender a raiz técnica do erro #NÚM!: matematicamente, não existe uma forma de isolar a variável taxa na fórmula de uma anuidade, diferente de vp, pgto ou nper, que podem ser isolados algebricamente. Por isso a TAXA (assim como a TIR e a LUCRO) precisa resolver o problema por tentativa e erro controlada, começando pela estimativa informada (ou 10%, se nenhuma for dada) e refinando a cada iteração até convergir — e é justamente esse processo que pode falhar em encontrar uma solução, gerando o erro.
Quando vale testar diferentes valores de estimativa manualmente
Se ajustar o argumento estimativa uma vez não resolver o erro #NÚM!, vale testar uma sequência de valores bem distantes entre si (por exemplo, 0,001, 0,05, 0,10, 0,50) em células separadas, observando qual delas o Excel consegue processar sem erro — essa varredura manual ajuda a identificar se o problema é realmente de convergência numérica, ou se há um erro mais fundamental nos sinais ou valores da fórmula original.
Disponibilidade
TAXA está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, TAXA.
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Você já se deparou com o erro #NÚM! usando essa função, sem saber a causa? Descobriu qual desses erros era o culpado no seu caso? Conta para nós nos comentários!