Você já precisou calcular quanto um ativo deprecia por ano, de forma simples e igual em todos os períodos, sem se preocupar com curvas aceleradas ou métodos contábeis complexos? Ou recebeu uma planilha de controle patrimonial e viu uma fórmula de depreciação que parecia mais complicada do que precisava ser para o caso da sua empresa?
Nem todo ativo precisa de um método de depreciação sofisticado. Para a maioria dos casos — móveis, imóveis, equipamentos com desgaste previsível e constante — o método mais simples e mais usado na prática contábil brasileira é a depreciação linear, onde o mesmo valor é depreciado igualmente em cada período da vida útil.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função DPD para calcular depreciação linear simples, o método de depreciação mais comum e mais fácil de auditar.
O que é a função DPD
DPD (equivalente à SLN em inglês, de “straight-line”) calcula a depreciação constante de um ativo por período, dividindo igualmente a diferença entre o custo e o valor residual pela vida útil total — o mesmo valor se repete em todos os anos, sem variação.
A sintaxe é:
=DPD(custo; valor_residual; vida_útil)
- custo: o valor de compra do ativo
- valor_residual: quanto o ativo ainda vale ao final da vida útil (pode ser zero)
- vida_útil: por quantos períodos o ativo será depreciado
Repare que, diferente de BD, BDD e BDV, a DPD não tem argumento de período — o resultado é sempre o mesmo valor, independente de qual ano você está calculando, então não faz sentido pedir “qual período”.
Exemplo prático
Para um ativo de R$ 50.000, valor residual de R$ 5.000, vida útil de 10 anos:
=DPD(50000; 5000; 10)
O resultado é R$ 4.500,00 por ano, em todos os 10 anos da vida útil, sem exceção.

A fórmula por trás do resultado
O cálculo da DPD é simplesmente uma divisão: (custo − valor_residual) ÷ vida_útil. No exemplo acima, (50.000 − 5.000) ÷ 10 = 4.500. Por ser uma conta tão direta, muita gente nem usa a função DPD e monta essa divisão manualmente na planilha — o que funciona igual, mas usar a função nomeada deixa a fórmula mais legível e menos sujeita a erro de digitação em uma planilha com muitas colunas.
Por que a DPD é o método padrão na contabilidade brasileira
A Receita Federal define, para a maioria dos bens do ativo imobilizado, taxas anuais fixas de depreciação (por exemplo, 10% ao ano para máquinas e equipamentos, 20% para veículos, 4% para imóveis) — exatamente o comportamento da depreciação linear. Por isso, na prática contábil brasileira, a DPD (ou a divisão manual equivalente) é usada com muito mais frequência do que os métodos acelerados como BD, BDD ou BDV, que são mais comuns em normas contábeis internacionais ou em situações específicas onde a empresa opta por antecipar a depreciação.
Construindo uma tabela de depreciação acumulada com DPD
Como o valor por período é sempre o mesmo, montar uma tabela de depreciação acumulada é simples: basta multiplicar o resultado da DPD pelo número do período.
=DPD($B$1; $B$2; $B$3) * A5
Onde A5 contém o número do período (1, 2, 3…). Isso dá a depreciação acumulada até aquele ano; para o saldo contábil restante, basta subtrair esse valor do custo original.
DPD vs métodos acelerados: qual escolher
✅ DPD é a escolha certa para a maioria dos ativos com desgaste previsível e constante, e é o método exigido por padrão pela legislação fiscal brasileira para a maior parte dos bens
❌ BD, BDD e BDV fazem mais sentido quando o ativo realmente perde valor mais rápido no início, ou quando a política contábil específica da empresa exige explicitamente um método acelerado
Erro comum
O erro mais comum é tentar passar um quarto argumento de período para a DPD, replicando o padrão das outras funções de depreciação, e receber o erro #VALOR! — a DPD não aceita esse argumento porque o resultado nunca varia entre períodos. Outro erro é usar valor_residual maior que custo, o que gera um valor de depreciação negativo, sem sentido contábil.
Usando DPD dentro de uma tabela de controle patrimonial completa
Em uma planilha de controle patrimonial real, a DPD costuma aparecer como uma coluna auxiliar fixa, calculada uma vez por ativo, e depois referenciada em outras colunas que calculam a depreciação acumulada e o valor contábil líquido mês a mês ou ano a ano — separando claramente “quanto deprecia por período” (a DPD) de “quanto já foi depreciado até agora” (uma soma ou multiplicação em cima da DPD), o que facilita tanto a leitura quanto a auditoria da planilha por terceiros.
Perguntas frequentes sobre a função DPD
DPD funciona com vida útil em meses, em vez de anos? Sim — a função não sabe a unidade que você está usando, ela só divide o valor total pelo número de períodos informado. Se vida_útil for 120 (10 anos em meses), o resultado é a depreciação mensal, não anual. O importante é manter a mesma unidade em todas as fórmulas da planilha.
O que acontece se valor_residual for zero? Nada de especial — a conta simplesmente vira custo ÷ vida_útil, depreciando o ativo até zerar completamente ao final da vida útil, o que é comum para ativos sem nenhum valor de revenda esperado.
Dá para usar DPD com referência a células que mudam com o tempo? Sim, mas com cuidado: como a função não tem argumento de período, se o custo ou o valor residual forem alterados no meio da vida útil do ativo (por uma reavaliação, por exemplo), o resultado da DPD muda retroativamente para todos os anos, o que pode não refletir corretamente o histórico contábil já registrado. Nesses casos, vale considerar não recalcular pela fórmula original a partir do ano da reavaliação, e sim criar uma nova referência de custo e vida útil restante a partir daquele ponto.
Disponibilidade
DPD está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, DPD.
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Sua empresa usa depreciação linear na maioria dos ativos, ou já precisou de um método acelerado em algum caso específico? Vai usar a DPD isolada ou dentro de uma tabela de controle patrimonial maior? Conta para nós nos comentários!