Você já ouviu falar do método de depreciação “soma dos dígitos dos anos” e ficou na dúvida se precisaria montar essa conta manualmente no Excel, somando 1+2+3… até a vida útil do ativo? Ou queria um meio-termo entre a depreciação linear (constante demais para alguns ativos) e a depreciação acelerada por saldo declinante (agressiva demais para outros)?
O método de saldo declinante (BD, BDD, BDV) é bastante agressivo no início e desacelera muito rápido depois. A depreciação linear (DPD), por outro lado, é constante demais para ativos que realmente perdem mais valor nos primeiros anos. Existe um terceiro método, mais equilibrado, chamado “soma dos dígitos dos anos”, e o Excel tem uma função pronta para ele.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função SDA para calcular depreciação pelo método da soma dos dígitos dos anos, um meio-termo entre linear e acelerado.
O que é a função SDA
SDA (equivalente à SYD em inglês, de “sum-of-years’ digits”) calcula a depreciação de um período específico usando uma fração decrescente da vida útil total, onde o denominador é a soma de todos os dígitos dos anos (por isso o nome) e o numerador é o número de anos restantes, contando de trás para frente.
A sintaxe é:
=SDA(custo; valor_residual; vida_útil; período)
- custo: o valor de compra do ativo
- valor_residual: quanto o ativo ainda vale ao final da vida útil
- vida_útil: por quantos períodos o ativo será depreciado
- período: para qual período específico você quer calcular a depreciação
Exemplo prático
Para um ativo de R$ 30.000, valor residual de R$ 7.500, vida útil de 10 anos, calculando a depreciação do primeiro e do quinto ano:
=SDA(30000; 7500; 10; 1) → R$ 4.090,91
=SDA(30000; 7500; 10; 5) → R$ 2.454,55

De onde vem a fórmula
A soma dos dígitos dos anos, para uma vida útil de 10 anos, é 1+2+3+4+5+6+7+8+9+10 = 55 (existe uma fórmula direta para isso: vida × (vida+1) ÷ 2). Para o primeiro ano, a fração aplicada é 10/55 (o maior numerador, já que é o primeiro ano); para o segundo ano, 9/55; e assim sucessivamente, até o último ano, que usa a menor fração, 1/55. Cada fração multiplica o valor depreciável total (custo − valor_residual):
No exemplo, valor depreciável = 30.000 − 7.500 = 22.500. Primeiro ano: 22.500 × (10/55) = 4.090,91. Quinto ano: 22.500 × (6/55) = 2.454,55 (o numerador do quinto ano é 10−5+1=6).
Por que esse método é considerado equilibrado
A SDA gera uma curva decrescente linear (não exponencial, como BD e BDD) — cada ano deprecia uma quantidade fixa a menos que o ano anterior, em vez de uma fração fixa do saldo remanescente. Isso resulta em uma depreciação inicial mais alta que a linear, mas sem a queda tão abrupta dos métodos de saldo declinante — um meio-termo real entre os dois extremos.
Construindo a tabela completa com SDA
Para montar a curva completa, fixe os três primeiros argumentos e varie só o período:
=SDA($B$1; $B$2; $B$3; A5)
Diferente de BD e BDD, não é preciso se preocupar com o saldo contábil de períodos anteriores — cada chamada da SDA calcula o valor daquele período de forma independente, direto pela fórmula da fração, o que torna essa função mais simples de auditar célula por célula do que as funções de saldo declinante.
SDA vs saldo declinante vs linear
✅ SDA é a escolha certa quando você quer uma depreciação decrescente, mas sem a queda abrupta dos métodos de saldo declinante — um padrão mais suave e previsível
❌ BD/BDD são melhores quando o ativo realmente perde a maior parte do valor logo nos primeiros 1-2 anos, um padrão mais extremo que a SDA não reproduz
❌ DPD é melhor quando não há nenhuma justificativa para depreciar mais no início — ativos com desgaste realmente constante
Erro comum
O erro mais comum é calcular manualmente a soma dos dígitos dos anos errado, especialmente para vidas úteis longas — usar a fórmula vida×(vida+1)÷2 evita esse erro, mas como a função SDA já faz essa conta internamente, normalmente nem é necessário calcular essa soma manualmente em nenhum momento, só informar os quatro argumentos da função. Outro erro é inverter a lógica do numerador, achando que o primeiro ano usa a fração 1/55 (a menor) — na verdade é o contrário, o primeiro ano recebe a maior fração, porque o método concentra mais depreciação no início.
Comparando visualmente as três curvas na mesma planilha
Uma forma didática de entender a diferença entre os métodos é montar três colunas lado a lado na mesma planilha — uma com DPD, uma com BDD e uma com SDA, todas usando o mesmo custo, valor residual e vida útil — e observar como a SDA sempre fica numericamente entre as outras duas em quase todos os períodos, exceto bem no início e bem no fim da vida útil, onde as curvas tendem a se aproximar.
Usando SDA com vida útil em meses
Assim como a DPD, a SDA não tem uma unidade fixa embutida — se você informar vida_útil em meses (por exemplo, 36 para 3 anos) e período também em meses, a função calcula normalmente a depreciação mensal seguindo a mesma lógica de fração decrescente, só que com uma soma de dígitos maior no denominador (36×37÷2 = 666, em vez de 55). O importante é manter vida_útil e período sempre na mesma unidade de tempo, para o cálculo da fração fazer sentido.
Verificando se a soma total bate com o valor depreciável
Uma boa prática ao montar uma tabela completa com SDA é somar todos os valores de depreciação gerados e comparar com (custo − valor_residual) — diferente da BD, que pode deixar uma pequena sobra por causa do arredondamento da taxa, a SDA soma exatamente o valor depreciável total ao final da vida útil, sem nenhuma sobra, já que é uma divisão de frações exatas, não uma taxa percentual aproximada.
Disponibilidade
SDA está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, SDA.
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Você já tinha ouvido falar desse método antes, ou é novidade completa? Faz mais sentido para algum ativo específico da sua empresa do que os métodos linear ou acelerado? Conta para nós nos comentários!