Você já ouviu falar em “depreciação acelerada dobrada” e precisou aplicar isso em uma planilha, mas não sabia se o Excel tinha uma função pronta para esse método específico? Ou testou a função BD para um ativo que perde valor muito rápido nos primeiros anos, e sentiu que o resultado ainda não era agressivo o suficiente para representar a realidade daquele ativo?
Existem diferentes convenções de depreciação acelerada, e uma das mais usadas em contabilidade internacional é o método do saldo declinante duplo (double declining balance) — que aplica uma taxa exatamente duas vezes maior que a depreciação linear simples, gerando uma curva ainda mais acentuada no início da vida útil do que o método de saldo declinante padrão.
Neste artigo vamos mostrar como usar a função BDD para calcular depreciação pelo método de saldo declinante duplo, e quando faz sentido escolher esse método em vez de outros.
O que é a função BDD
BDD (equivalente à DDB em inglês, de “double declining balance”) calcula a depreciação de um ativo em um período específico, aplicando uma taxa fixa de duas vezes a taxa linear (por padrão) sobre o valor contábil restante a cada período — o dobro da agressividade do método de saldo declinante simples.
A sintaxe é:
=BDD(custo; recuperação; vida_útil; período; [fator])
- custo: o valor de compra do ativo
- recuperação: o valor residual estimado ao final da vida útil (aqui chamado de “recuperação”, mas é o mesmo conceito de valor residual)
- vida_útil: por quantos períodos o ativo será depreciado
- período: para qual período específico você quer calcular a depreciação
- fator (opcional): a taxa de aceleração — padrão é 2 (daí o “duplo”), mas pode ser ajustado para qualquer outro múltiplo
Exemplo prático
Para um ativo de R$ 25.000, valor residual de R$ 1.000, vida útil de 10 anos, calculando a depreciação do primeiro e do terceiro ano com o fator padrão (2):
=BDD(25000; 1000; 10; 1) → R$ 5.000,00
=BDD(25000; 1000; 10; 3) → R$ 3.200,00

Repare como o primeiro ano já deprecia 20% do custo total (2 × 1/10 = 20%, a taxa linear dobrada), e o valor cai progressivamente nos anos seguintes, sempre aplicado sobre o saldo remanescente.
Como funciona a taxa fixa de 2/vida_útil
Diferente da função BD, que calcula uma taxa própria a partir do valor residual informado, a BDD usa uma lógica mais simples: taxa = fator ÷ vida_útil. Com fator padrão 2 e vida_útil 10, a taxa é 20% ao ano, aplicada sempre sobre o saldo contábil restante (custo menos depreciação acumulada), nunca sobre o custo original. Isso é o que gera a curva decrescente, mesmo com taxa percentual fixa.
O valor residual funciona como um “freio”, não como parte do cálculo da taxa
Um ponto que confunde bastante gente: na função BDD, o argumento recuperação (valor residual) não entra na fórmula da taxa, diferente da função BD. Ele serve apenas como um limite de segurança — o Excel automaticamente para de depreciar quando o saldo contábil chega perto do valor residual, mesmo que a fórmula matemática pura continuasse gerando depreciação além desse ponto.
Ajustando o fator para outros múltiplos
O argumento fator não precisa ser necessariamente 2. Um fator de 1,5, por exemplo, é chamado de “declinante 150%”, mais moderado que o dobro; um fator de 3 seria ainda mais agressivo que o padrão. Isso dá flexibilidade para adequar a função a políticas contábeis específicas de cada empresa ou país, sem precisar trocar de função.
=BDD(25000; 1000; 10; 1; 1,5) aplicaria uma taxa de 15% (1,5 ÷ 10) no lugar dos 20% do padrão.
BDD vs BD: qual escolher
✅ BDD é mais indicada quando a política contábil da empresa exige explicitamente o método “saldo declinante duplo” (ou outro múltiplo definido), muito comum em normas contábeis americanas e em ativos de tecnologia com obsolescência rápida
❌ BD é mais indicada quando você quer que o valor residual informado influencie diretamente o cálculo da taxa, resultando em uma curva calibrada especificamente para terminar exatamente no valor residual ao final da vida útil
Erro comum
O erro mais comum é esquecer que o resultado da BDD pode ultrapassar o valor residual matematicamente, mas o Excel corrige isso sozinho, limitando a depreciação do último período para não deixar o saldo contábil abaixo do valor residual informado — não é necessário (nem recomendado) tentar ajustar isso manualmente na fórmula. Outro erro é usar recuperação igual a zero achando que isso “libera” a depreciação total do ativo; na prática, isso só faz sentido dependendo da política contábil aplicada, e vale conferir antes de zerar esse argumento.
Quando o resultado da BDD pode ficar negativo ou dar erro
Se o período informado for maior que a vida_útil, ou se custo for menor ou igual a recuperação, a função retorna o erro #NÚM!. Também vale means que, diferente da BD, a BDD não tem argumento de mês para ativos comprados no meio do ano — se você precisa desse ajuste com o método de saldo declinante duplo, o caminho costuma ser calcular a proporção manualmente, aplicando a fração de meses sobre o resultado do primeiro período.
Combinando BDD com SE para trocar de método automaticamente no ponto de cruzamento
Uma prática avançada em contabilidade é começar a depreciação pelo saldo declinante duplo e, no ano em que a depreciação linear sobre o saldo remanescente passar a ser maior que a do BDD, trocar automaticamente para o método linear — evitando que o ativo nunca chegue exatamente ao valor residual dentro do prazo. Isso pode ser montado com uma fórmula SE comparando o resultado da BDD com uma divisão simples do saldo restante pelos anos restantes:
=SE(BDD($B$1;$B$2;$B$3;A5) > (saldo_restante/anos_restantes); BDD($B$1;$B$2;$B$3;A5); saldo_restante/anos_restantes)
Essa combinação não é o uso mais comum da função, mas resolve um problema real de quem precisa seguir normas contábeis mais rígidas, que exigem esse ponto de transição entre métodos.
Disponibilidade
BDD está disponível em todas as versões do Excel — 365, 2021, 2019, Mac, Online. O Google Sheets tem a função equivalente com o mesmo nome, BDD.
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Sua empresa já usa algum método específico de depreciação acelerada, ou ainda calcula tudo de forma linear? Vai testar a BDD com o fator padrão ou ajustar para outro múltiplo? Conta para nós nos comentários!