O Excel agora roda Python por dentro. Isso significa que você consegue usar bibliotecas famosas como pandas, numpy e matplotlib direto na sua planilha, sem precisar instalar nada no computador e sem precisar abrir outro programa como Jupyter ou VS Code. Tudo acontece dentro do próprio Excel, em uma célula comum. Este artigo mostra o que é o Python no Excel, quem pode usar, o passo a passo para ativar o recurso e como escrever sua primeira fórmula em Python na planilha.
O que é o Python no Excel
O Python no Excel é uma integração nativa criada pela Microsoft em parceria com a Anaconda, a distribuição de Python mais usada no mundo para ciência de dados. Você escreve código Python dentro de uma célula e o resultado aparece na planilha como se fosse uma fórmula comum, podendo ser usado em outras fórmulas, gráficos e tabelas dinâmicas normalmente.
A execução do código não acontece no seu computador. Quando você confirma uma célula Python, o código é enviado para um contêiner seguro hospedado nos servidores da Microsoft na nuvem Azure, processado lá e o resultado volta para a célula. Esse modelo tem duas consequências importantes: o seu computador não fica lento mesmo rodando análises pesadas, mas em compensação você precisa estar conectado à internet para usar o recurso. Sem conexão, as células Python ficam paradas e não calculam.
As principais bibliotecas de ciência de dados já vêm pré-instaladas e prontas para uso. O pandas serve para manipular tabelas, filtrar, agrupar e cruzar dados. O numpy é a base de cálculos numéricos e matrizes. O matplotlib e o seaborn são bibliotecas de gráficos, capazes de gerar visualizações muito mais ricas do que os gráficos nativos do Excel. O scikit-learn permite aplicar modelos de machine learning como regressão, classificação e clusterização. E o statsmodels oferece testes estatísticos e modelos econométricos prontos.
Por questão de segurança, o ambiente é fechado. Não é possível instalar bibliotecas adicionais, não é possível acessar arquivos do seu disco a partir do código Python e não é possível fazer requisições para a internet de dentro do código. Tudo precisa entrar pela própria planilha.
Quem pode usar o Python no Excel
Para usar o recurso, você precisa de três coisas. A primeira é uma assinatura ativa do Microsoft 365, em qualquer um dos planos: Personal, Family, Business ou Enterprise. A segunda é estar com o Excel para Windows ou Mac em uma versão recente, atualizada pelo canal atual do Office. A terceira é ter conexão com a internet no momento em que você for executar o código.
O recurso não funciona em versões compradas uma vez só, como o Excel 2021, o Excel 2019 ou o Excel LTSC. Também não está disponível para quem usa o Excel sem assinatura do 365. No Excel para a Web a disponibilidade ainda é parcial, dependendo do tipo de conta.
Como ativar o Python no Excel
Nas versões atuais do Microsoft 365, o Python no Excel já vem ativado por padrão e não exige inscrição em programa Insider, como acontecia quando o recurso foi lançado. Se você não está vendo o recurso, normalmente o problema é apenas uma versão do Office desatualizada.
Passo 1: Atualizar o Office
Abra qualquer aplicativo do Office, como o próprio Excel. Vá no menu Arquivo, clique em Conta, depois em Opções de Atualização e por fim em Atualizar Agora. Aguarde o download e a instalação terminarem antes de seguir. Esse passo costuma resolver a maioria dos casos em que o botão de Python não aparece.
Passo 2: Verificar a guia Fórmulas
Com o Excel aberto, clique na guia Fórmulas, no topo da janela. Procure no grupo Biblioteca de Funções por um botão chamado Python. Em versões um pouco mais antigas o botão pode aparecer com o nome Python (Preview). Se o botão estiver visível, o recurso já está disponível para a sua conta.
Passo 3: Inserir uma célula em modo Python
Existem três formas de transformar uma célula comum em uma célula que aceita código Python. A primeira é clicar no botão Inserir Python na guia Fórmulas, depois clicar na célula desejada. A segunda é digitar =PY( em qualquer célula e pressionar Tab. A terceira, mais rápida, é selecionar a célula e usar o atalho Ctrl + Alt + Shift + P.
Quando a célula entra em modo Python, ela muda visualmente. O fundo fica esverdeado e aparece um ícone PY pequeno à esquerda da célula. Isso indica que tudo que você digitar ali será interpretado como código Python, e não como fórmula do Excel.
Como escrever a primeira fórmula em Python
Para entender como o Python conversa com a planilha, vale fazer um exemplo simples. Suponha que você tenha uma tabela em A1:C10 com colunas de vendas, custo e lucro, e a primeira linha contém o cabeçalho. Com a célula em modo Python, digite:
import pandas as pd
df = xl("A1:C10", headers=True)
df.describe()
Pressione Ctrl + Enter para confirmar. O Excel envia esse código para a nuvem, processa o cálculo usando o pandas e retorna uma tabela com a contagem, a média, o desvio padrão, o mínimo, o máximo e os quartis de cada coluna. Tudo isso em uma única célula, com três linhas de código.
A função xl é a ponte entre o Excel e o Python. Ela recebe um intervalo da planilha como argumento e devolve um DataFrame do pandas, que é a estrutura mais usada para trabalhar com tabelas em Python. A partir desse DataFrame você pode filtrar, agrupar, juntar com outras tabelas, calcular novos campos e desenhar gráficos, tudo dentro da planilha.
Como alternar o tipo de saída
Toda célula Python tem dois modos de saída diferentes, e é importante saber alternar entre eles para conseguir o resultado certo na hora certa.
O primeiro modo é o objeto Python. Nesse modo, a célula mostra apenas um ícone indicando o tipo de objeto retornado, como DataFrame, Series ou um gráfico do matplotlib. Esse modo é útil quando o resultado vai ser usado por outra célula Python na sequência, porque preserva a estrutura original do objeto.
O segundo modo é o valor do Excel. Nesse modo, o Python despeja os dados na planilha como se fossem valores comuns: números, texto ou uma tabela espalhada por várias células. Esse é o modo que você quer quando o resultado precisa ser usado em fórmulas tradicionais do Excel, em gráficos nativos ou em tabelas dinâmicas.
Para alternar entre os dois modos, clique no ícone PY à esquerda da célula e escolha a opção desejada no menu que aparece.
Limitações importantes do Python no Excel
Antes de migrar todas as suas análises para Python no Excel, vale conhecer algumas limitações do recurso. Não há acesso à internet a partir do código, então não dá para chamar APIs, baixar arquivos ou consultar bancos de dados online. Também não há acesso ao seu disco, o que impede ler arquivos CSV, JSON ou Excel diretamente do computador. Tudo precisa entrar pela própria planilha, geralmente via Power Query.
Não é possível instalar pacotes adicionais. Você fica restrito ao conjunto de bibliotecas que vem pré-instalado pela Anaconda, que é grande mas não cobre tudo. O recálculo segue uma ordem fixa, de cima para baixo e da esquerda para a direita, o que difere bastante do recálculo tradicional do Excel.
Mesmo com essas limitações, o Python no Excel é uma das maiores evoluções recentes do programa. Para quem trabalha com análise de dados, abre a possibilidade de fazer ciência de dados séria dentro da mesma planilha onde os dados já estão.