Você já precisou saber rapidamente se uma variação de vendas foi positiva ou negativa, sem ficar olhando número por número na planilha? Ou montar uma fórmula que se comporta de um jeito quando o resultado é positivo e de outro quando é negativo, mas sem querer escrever um monte de SE aninhado só para isso?
Esse tipo de situação aparece o tempo todo em relatórios financeiros, painéis de indicadores e planilhas de controle. Quando você depende só da inspeção visual ou de fórmulas condicionais longas, a planilha fica mais lenta de montar, mais difícil de revisar e mais propensa a erro — principalmente quando a base de dados tem centenas de linhas e você precisa aplicar a mesma lógica em todas elas.
Neste artigo iremos mostrar o que é a função SINAL (em inglês, SIGN), como ela funciona, em que situações ela resolve um problema real na sua planilha e como combiná-la com outras fórmulas para deixar seus relatórios mais enxutos e mais fáceis de interpretar.
O que a função SINAL faz
A função SINAL testa um número e devolve apenas três resultados possíveis:
- 1, se o número for positivo;
- -1, se o número for negativo;
- 0, se o número for exatamente zero.
Ou seja, ela não devolve o valor em si, só o “sinal” dele. É uma função de matemática e trigonometria, disponível desde as versões mais antigas do Excel (2003 em diante) e também no Excel para a Web, Excel para Mac e no Google Sheets, onde existe com o mesmo nome em português.
Sintaxe da função SINAL
A sintaxe é simples, com um único argumento obrigatório:
=SINAL(número)
número — o valor ou a referência de célula que você quer testar. Pode ser um número digitado diretamente ou o resultado de outra fórmula, como uma subtração, uma soma ou uma variação percentual.
Se o argumento não for um número (por exemplo, texto que não pode ser convertido), a função devolve o erro #VALOR!.
Exemplo prático: variação de vendas mês a mês
Imagine que você tem uma planilha de acompanhamento de vendas por loja, comparando o mês anterior com o mês atual. Em vez de olhar manualmente cada linha para saber se a loja cresceu ou caiu, você pode usar o SINAL em cima da variação.

Na tabela acima, a coluna “Variação” já é o resultado de =C2-B2 (vendas de julho menos vendas de junho). A coluna “Sinal” aplica =SINAL(D2) em cima dessa variação:
- Loja Centro: variação de 7.000, SINAL devolve 1 (cresceu).
- Loja Norte: variação de -7.000, SINAL devolve -1 (caiu).
- Loja Sul: variação de 0, SINAL devolve 0 (ficou estável).
- Loja Leste: variação de 9.500, SINAL devolve 1 (cresceu).
Com esse resultado numérico (1, -1 ou 0), fica muito mais fácil montar um resumo, contar quantas lojas cresceram, quantas caíram e quantas ficaram estáveis, sem precisar escrever uma fórmula condicional separada para cada situação.
Usando SINAL dentro de fórmulas maiores
A grande vantagem do SINAL não é usá-lo sozinho, é combiná-lo com outras funções. Alguns exemplos práticos:
Contar quantas variações foram positivas, negativas ou neutras
Combinando SINAL com CONT.SE, você consegue montar um resumo rápido:
=CONT.SE(E2:E5;1)
Essa fórmula conta quantas lojas tiveram sinal igual a 1 (ou seja, cresceram), aplicada sobre a coluna de resultados do SINAL. O mesmo raciocínio funciona para contar quedas (=CONT.SE(E2:E5;-1)) ou estabilidade (=CONT.SE(E2:E5;0)).
Substituir um SE simples
Uma fórmula como:
=SE(D2>0;"Cresceu";SE(D2<0;"Caiu";"Estável"))
pode ser reescrita de forma mais compacta usando o resultado do SINAL dentro de um PROCV ou de uma segunda camada de SE, já que o SINAL simplifica o número de comparações que você precisa fazer. Em planilhas grandes, isso melhora a legibilidade da fórmula e reduz o risco de esquecer um parêntese no meio de um SE aninhado longo.
Multiplicar por SINAL para “espelhar” um valor
Outro uso comum é multiplicar um valor por SINAL() de outra célula, para forçar que o resultado siga a mesma direção (positiva ou negativa) de uma referência. Isso aparece, por exemplo, em modelos financeiros que precisam garantir que uma despesa sempre apareça como número negativo, independente de como o valor original foi digitado.
SINAL não é o mesmo que ABS
É comum confundir SINAL com ABS (a função de valor absoluto), mas elas fazem coisas opostas em certo sentido:
=ABS(-7000)devolve 7000 (o valor, sem o sinal).=SINAL(-7000)devolve -1 (só o sinal, sem o valor).
Em algumas fórmulas mais avançadas, as duas aparecem juntas: você usa o SINAL para saber a direção do número e o ABS para saber a magnitude dele, tratando cada parte separadamente.
Cuidado com valores muito próximos de zero
Um erro comum é esperar que o SINAL trate como “zero” um número que, na verdade, é apenas muito pequeno — como o resultado de um arredondamento com muitas casas decimais que sobrou, por exemplo, 0,0000001. Nesse caso, o Excel não considera isso igual a zero, e o SINAL devolve 1, porque tecnicamente o número é positivo.
✅ Se você está comparando variações que devem ser tratadas como “zero” dentro de uma margem de tolerância (por exemplo, diferenças de centavos por arredondamento), arredonde o valor antes de aplicar o SINAL, com algo como =SINAL(ARRED(D2;2)).
❌ Aplicar o SINAL direto em cima de uma subtração com muitas casas decimais sem arredondar, esperando que pequenas diferenças sejam tratadas como zero.
Quando vale a pena usar SINAL em vez de uma fórmula condicional
Vale usar SINAL sempre que você precisar de uma resposta numérica (1, -1 ou 0) para alimentar outra fórmula, gráfico ou indicador — e não apenas de um texto descritivo como “cresceu” ou “caiu”. Se o seu objetivo final é só mostrar um texto para quem lê o relatório, um SE simples já resolve. Mas se você vai usar esse resultado dentro de somas, contagens, multiplicações ou fórmulas de formatação condicional baseadas em número, o SINAL costuma deixar a planilha mais limpa e mais rápida de auditar.
Perguntas frequentes
SINAL funciona com números negativos e positivos ao mesmo tempo em uma fórmula?
Sim. Cada célula é avaliada individualmente. Se você aplicar =SINAL() em um intervalo dentro de uma fórmula matricial, cada número do intervalo recebe seu próprio resultado (1, -1 ou 0), de forma independente dos demais valores.
O que acontece se eu usar SINAL em uma célula vazia?
O Excel trata a célula vazia como zero, então =SINAL(A1) com A1 vazia devolve 0, o mesmo resultado que você teria digitando =SINAL(0).
SINAL existe no Google Sheets?
Sim, o Google Sheets tem a mesma função com o nome SIGN (na versão em inglês) ou SINAL (na versão em português), com a sintaxe e o comportamento idênticos ao Excel.
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Você já usava alguma fórmula longa para fazer o que o SINAL faz em uma linha só? Em que tipo de relatório você imagina usar essa função no seu dia a dia? Vale a pena combinar SINAL com CONT.SE nas suas planilhas de indicadores? Conta para nós nos comentários!