Cotação de Ações no Excel: Como Acompanhar o Preço de Várias Ações ao Mesmo Tempo

Para acompanhar o preço de várias ações ao mesmo tempo no Excel, digite cada ticker seguido do sufixo da bolsa (por exemplo, PETR4:BVMF) e converta as células em Tipos de Dados Vinculados pela guia Dados > Ações — depois é só usar =A2.Preço ou =FVCÁLDINÂM(A2;”Preço”) para extrair a cotação de cada ativo automaticamente.

Se você investe na bolsa de valores e acompanha mais de uma ação, sabe como é repetitivo abrir o aplicativo da corretora ou um site financeiro, checar o preço de cada papel um por um, e depois digitar tudo manualmente numa planilha para ver o valor total da carteira. Esse processo, além de lento, precisa ser refeito toda vez que você quer um número atualizado, porque o preço das ações muda a cada instante durante o pregão.

Quando você depende de atualização manual, a decisão de comprar, vender ou apenas acompanhar a carteira acaba sendo tomada com base em um preço que já pode estar desatualizado há minutos ou até horas, principalmente se você só atualiza a planilha uma vez por dia. Em uma carteira com dez ou vinte ações diferentes, repetir essa consulta manualmente para cada papel consome um tempo que poderia ser eliminado por completo.

Neste artigo iremos mostrar como buscar a cotação de várias ações da bolsa brasileira ao mesmo tempo diretamente dentro do Excel, sem precisar sair da planilha, como manter esse valor atualizado automaticamente para uma lista inteira de ativos, e quais os cuidados que você precisa ter com os tickers para que a busca funcione corretamente.

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O recurso por trás da cotação: Tipos de Dados Vinculados

O recurso do Excel que permite buscar a cotação de uma ação sem sair da planilha se chama Tipos de Dados Vinculados (Linked Data Types), disponível na guia Dados. Diferente de uma célula comum, um Tipo de Dado Vinculado conecta a célula a uma fonte de dados externa da Microsoft, atualizada em tempo real (ou quase, dependendo da fonte), permitindo extrair diferentes campos — preço, variação, volume negociado — a partir de um único identificador digitado na célula.

Para usar, digite o ticker da ação em uma célula, sempre seguido do sufixo da bolsa brasileira: PETR4:BVMF para Petrobras, VALE3:BVMF para Vale, ITUB4:BVMF para Itaú Unibanco, e assim por diante. Selecione a célula (ou o intervalo inteiro, se estiver digitando vários tickers de uma vez), vá até Dados > Ações, e o Excel reconhece automaticamente cada ticker, transformando a célula em um Tipo de Dado Vinculado — sinalizado por um pequeno ícone que aparece dentro dela.

Extraindo o preço de cada ação com FVCÁLDINÂM

Com as células já reconhecidas como Tipo de Dado Vinculado, existem duas formas de extrair o preço. A primeira é clicar no ícone que aparece dentro da célula, que abre um cartão com todos os campos disponíveis daquele ativo — o campo Preço é o que você quer. A segunda forma, mais rápida quando você tem uma lista longa de ações, é usar fórmula:

=A2.Preço

ou, usando a função equivalente FVCÁLDINÂM (em inglês, FIELDVALUE):

=FVCÁLDINÂM(A2;”Preço”)

Sendo A2 a célula onde está o ticker convertido em Tipo de Dado Vinculado. As duas retornam o mesmo resultado — a diferença é só de preferência: a notação com ponto é mais enxuta, enquanto FVCÁLDINÂM deixa explícito, para quem revisa a planilha depois, que aquele número vem de um campo específico de um dado externo, e não de uma conta manual.

A vantagem de usar a fórmula em vez de clicar no ícone toda vez aparece quando você tem uma lista de ações: depois de escrever a fórmula na primeira linha, basta selecionar a célula e arrastar a alça de preenchimento para baixo, copiando a mesma fórmula para todos os outros tickers da lista. O Excel repete automaticamente a extração do preço para cada linha, sem que você precise clicar em nenhum ícone manualmente:

Tabela mostrando o ticker e o preço de cada ação extraído com Tipos de Dados Vinculados no Excel

Montando uma carteira de ações que se atualiza sozinha

Depois que o preço de cada ativo está sendo extraído por fórmula, o próximo passo natural é calcular o valor total da carteira. Basta ter uma coluna com a quantidade de cada ação que você possui e multiplicar pelo preço extraído: =C2*D2, onde C2 é a quantidade e D2 é o preço atual. Somando essa coluna de valores com =SOMA(E2:E10), você tem o valor total da carteira, recalculado automaticamente toda vez que o Excel atualizar os Tipos de Dados Vinculados.

Essa atualização não acontece a cada segundo como em um sistema de home broker: o Excel atualiza os Tipos de Dados Vinculados periodicamente (em geral a cada poucos minutos) ou quando você força manualmente, clicando com o botão direito na célula e escolhendo Atualizar, ou usando o botão Atualizar Tudo na guia Dados. Para acompanhamento de carteira de longo prazo, essa frequência é mais do que suficiente; para day trade, onde cada segundo importa, o ideal é usar a plataforma da própria corretora.

Cuidados com o sufixo do ticker e ativos não encontrados

O erro mais comum ao configurar essa planilha é esquecer o sufixo :BVMF depois do código da ação — sem ele, o Excel pode não reconhecer o ticker como um ativo da bolsa brasileira, ou pior, associá-lo por engano a uma ação de outro país com um código parecido. Sempre confira, depois de converter para Tipo de Dado Vinculado, se o ícone que aparece na célula é o de uma ação (não uma bandeira de erro), e se o nome da empresa que aparece no cartão de detalhes corresponde ao papel que você pretendia buscar.

Ativos menos líquidos, fundos imobiliários recém-listados ou BDRs às vezes não são reconhecidos de primeira pelo Excel. Nesses casos, tente digitar o nome da empresa em vez do ticker (por exemplo, “Petrobras” em vez de “PETR4:BVMF”) e deixe o Excel sugerir o Tipo de Dado Vinculado correspondente antes de confirmar.

Diferença entre acompanhar o preço atual e consultar um histórico

Vale destacar que essa técnica de Tipos de Dados Vinculados serve para acompanhar o preço atual de uma ação, atualizado periodicamente enquanto a planilha estiver aberta e conectada à internet. Se o que você precisa é o preço de fechamento de uma ação em uma data específica do passado — para calcular a rentabilidade desde a compra, por exemplo —, a ferramenta correta é outra: a função HISTÓRICODEAÇÕES (STOCKHISTORY), que busca valores históricos em vez de valores em tempo real. As duas técnicas são complementares: uma mostra o presente, a outra reconstrói o passado.

Disponibilidade em outras versões

Os Tipos de Dados Vinculados para Ações estão disponíveis no Excel 365 (assinatura) e nas versões mais recentes vendidas avulsas, tanto no Windows quanto no Mac, desde que a planilha tenha conexão com a internet. O recurso não está disponível em versões perpétuas mais antigas, como Excel 2016 ou 2019 sem assinatura Microsoft 365, nem no Excel Online em todos os planos. No Google Sheets, o equivalente é a função GOOGLEFINANCE, que também aceita o ticker da ação e retorna o preço atual, com uma sintaxe própria — mas é importante lembrar que GOOGLEFINANCE é exclusiva do Google Sheets e não existe como fórmula nativa dentro do Excel.

Perguntas frequentes

Por que o Excel não reconhece o ticker da ação que eu digitei?

O motivo mais comum é a falta do sufixo :BVMF depois do código, necessário para o Excel identificar que o papel pertence à bolsa brasileira. Se mesmo com o sufixo o ticker não for reconhecido, tente digitar o nome da empresa por extenso e deixar o Excel sugerir o ativo correto antes de confirmar.

A cotação da ação no Excel é em tempo real?

Não exatamente em tempo real: os Tipos de Dados Vinculados são atualizados periodicamente pelo Excel, a cada poucos minutos, ou manualmente quando você clica em Atualizar. Para decisões de day trade, onde cada segundo conta, o ideal continua sendo a plataforma da corretora, não a planilha.

Dá para acompanhar várias ações de uma vez na mesma planilha?

Sim. Depois de escrever a fórmula com FVCÁLDINÂM (ou a notação com ponto) na primeira linha, basta arrastar a alça de preenchimento para baixo, copiando a fórmula para todos os outros tickers da lista — cada linha extrai o preço do seu próprio ativo automaticamente.

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Você já usa alguma planilha para acompanhar sua carteira de ações? Prefere o Excel, o Google Sheets ou o aplicativo da própria corretora para isso? Conta para nós nos comentários!

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