Quanto seu dinheiro vai valer daqui a 10 anos se você investir agora? Qual será o saldo da sua poupança se você guardar um valor fixo por mês durante 5 anos? Essas são perguntas fundamentais para qualquer planejamento financeiro, e a função VF do Excel responde a ambas de forma precisa e rápida. Neste artigo iremos mostrar como usar a função VF (Valor Futuro) no Excel com exemplos práticos de investimento e poupança.
O que é a função VF?
VF significa Valor Futuro. A função VF (em inglês FV, de Future Value) calcula quanto um investimento ou uma série de depósitos regulares valerá no futuro, considerando uma taxa de juros e um período de tempo. É o oposto do VP (Valor Presente), que traz valores futuros para o presente.
A sintaxe da função VF
=VF(taxa; nper; pgto; [vp]; [tipo])
- taxa: a taxa de juros por período
- nper: número total de períodos
- pgto: valor do aporte periódico (negativo se for depósito)
- vp: valor presente, o capital inicial (opcional, padrão: 0)
- tipo: 0 para depósitos no final do período, 1 para início (opcional)
Exemplo 1: quanto rende um investimento único
Você investiu R$ 20.000 em um CDB que rende 0,9% ao mês. Qual será o saldo após 24 meses?
=VF(0,9%; 24; 0; -20000)
O vp é negativo porque é uma saída de caixa (você está colocando dinheiro). O resultado positivo representa o valor que você receberá.
Exemplo 2: poupança com aportes mensais
Você vai depositar R$ 500 por mês em um fundo que rende 0,7% ao mês. Após 36 meses, qual será o saldo?
=VF(0,7%; 36; -500)
Como não há capital inicial, o vp é omitido ou zero.
Exemplo 3: capital inicial mais aportes mensais
Você tem R$ 10.000 aplicados e vai adicionar R$ 300 por mês por 5 anos (60 meses) a uma taxa de 0,65% ao mês:
=VF(0,65%; 60; -300; -10000)
O poder dos juros compostos no longo prazo
Use o VF para visualizar o impacto dos juros compostos ao longo do tempo. Compare o resultado de investir R$ 200 por mês durante 30 anos com o resultado de investir R$ 400 por mês durante 15 anos — você vai se surpreender com a diferença que o tempo faz no resultado final, mesmo com aportes menores.
Planejando a aposentadoria com VF
O VF é uma ferramenta poderosa para planejamento previdenciário. Calcule qual será o patrimônio acumulado ao se aposentar, considerando diferentes cenários de aporte mensal, taxa de retorno e período de acumulação. Isso permite tomar decisões mais conscientes sobre quanto poupar hoje para garantir a independência financeira no futuro.
Comparando opções de investimento
Use o VF para comparar objetivamente diferentes opções de investimento. Calcule o valor futuro do mesmo capital em diferentes taxas de rendimento para ver claramente qual opção é mais vantajosa a longo prazo.
O impacto do tempo: a comparação que abre os olhos
A função VF é a ferramenta perfeita para demonstrar visualmente o poder dos juros compostos ao longo do tempo. Uma análise que impressiona qualquer pessoa é comparar três estratégias de investimento com o mesmo capital total, mas em tempos diferentes.
Suponha que você quer investir R$ 200.000 ao longo de 30 anos a 0,7% ao mês:
- Estratégia A: R$ 555 por mês por 30 anos desde já
- Estratégia B: R$ 1.111 por mês por 15 anos começando em 15 anos
- Estratégia C: R$ 200.000 investidos de uma vez hoje
Use o VF para calcular o resultado de cada uma. A diferença entre começar agora versus começar em 15 anos, mesmo com o dobro do aporte mensal, é impressionante. Essa análise mostra concretamente por que começar a investir cedo é muito mais valioso do que investir mais tarde.
VF para calcular o montante de um plano de previdência privada
A função VF é essencial para avaliar planos de previdência privada e comparar com alternativas de mercado. Calcule o montante acumulado ao fim do período de acumulação para diferentes cenários de rentabilidade:
=VF(rentabilidade_mensal; meses_acumulacao; -aporte_mensal; -patrimonio_atual)
Por exemplo, com patrimônio atual de R$ 50.000 em um PGBL, aporte mensal de R$ 1.000 por mais 20 anos (240 meses) a diferentes taxas:
- A 0,5% ao mês (6,17% ao ano): =VF(0,5%; 240; -1000; -50000)
- A 0,7% ao mês (8,73% ao ano): =VF(0,7%; 240; -1000; -50000)
- A 0,9% ao mês (11,35% ao ano): =VF(0,9%; 240; -1000; -50000)
Compare os resultados e veja qual taxa mínima você precisa que o plano renda para compensar as taxas de administração cobradas. Se o plano cobra 2% ao ano de taxa de administração e o benchmark (CDI) rende 12% ao ano, a taxa real do plano para você é aproximadamente 10%. Calcule o VF nessa taxa e compare com alternativas.
VF no planejamento de grandes compras e objetivos de vida
Além de investimentos formais, o VF é muito usado para planejar objetivos concretos de médio prazo, como comprar um carro à vista, dar a entrada em um imóvel ou pagar a faculdade dos filhos. Para cada objetivo, defina o valor necessário e calcule quanto precisa guardar por mês.
Por exemplo, você quer acumular R$ 80.000 em 3 anos (36 meses) para a entrada de um apartamento. Com uma aplicação que rende 0,75% ao mês, use o PGTO (não o VF) para descobrir o aporte necessário:
=-PGTO(0,75%; 36; 0; 80000)
Se o valor mensal for viável no seu orçamento, ótimo. Se não for, use o VF para ver quanto acumula com o que você consegue poupar e ajuste a meta ou o prazo. O VF e o PGTO juntos são as ferramentas de planejamento financeiro pessoal mais úteis do Excel.
Comparando fundos de investimento com a função VF
A função VF é a ferramenta ideal para comparar o desempenho projetado de diferentes fundos de investimento ou produtos financeiros com rentabilidades distintas. O segredo é sempre usar a taxa líquida de taxas de administração e impostos para ter uma comparação justa.
Por exemplo, compare três fundos para um investimento de R$ 50.000 por 5 anos (60 meses) sem aportes adicionais:
- Fundo A: 0,85% ao mês bruto, taxa de adm 1,5% ao ano → taxa líquida mensal ≈ 0,725%
- Fundo B: 0,70% ao mês bruto, taxa de adm 0,5% ao ano → taxa líquida mensal ≈ 0,658%
- Fundo C: 0,60% ao mês bruto, sem taxa de adm → taxa líquida mensal ≈ 0,60%
Use =VF(taxa_liquida; 60; 0; -50000) para cada um e compare os resultados. A diferença no patrimônio final após 5 anos pode ser surpreendente, justificando a escolha cuidadosa do produto com base na taxa líquida e não na taxa bruta divulgada.
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